Presidente da República alerta para sinais de populismo

14/01/2020 01:09 - Modificado em 14/01/2020 01:09
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Na sua intervenção na Assembleia da República, na sessão comemorativa do 13 de Janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia, que se assinalou a 13 de Janeiro, Jorge Carlos Fonseca alertou para a existência de “alguns sinais do canto da sereia do nacional-populismo”, acrescentando que “nem sempre surge com uma linguagem agressiva ou abertamente antidemocrática, pode mostrar-se atraente, cómodo, mas, afinal, ardiloso e portador de soluções que rejeitámos há quase três décadas”.

O Chefe de Estado chamou ainda a atenção para tal pois esta acarreta “crescentes desigualdades sociais e de rendimentos”, a intensificação dos movimentos migratórios, “agudizando o sentimento de rejeição pelos imigrantes” e as redes sociais, que dão “voz a partidos, grupos e líderes populistas”, acrescentando que estes “antes não tinham tempo de antena para prometerem, muitas vezes, o irrealizável, mas que segmentos importantes das populações querem ouvir”.

No seu discurso salientou ainda que “A satisfação das necessidades básicas é uma condição necessária para o usufruto da liberdade, ainda que não seja suficiente”. Salientou que embora tenham diminuído as desigualdades sociais permanecem elevadas, “acontecendo o mesmo com a sua distribuição regional da riqueza”.

Para Jorge Carlos Fonseca “A ultrapassagem progressiva desses constrangimentos é fundamental para o aprofundamento, o alargamento e a solidez da democracia”, defendendo que as medidas políticas “devem ser, também, enformadas por essa necessidade e devem, igualmente, alicerçar-se no diálogo com os destinatários: as pessoas e suas organizações”.

“Neste quadro, sinais de preocupações, inquietações e ansiedade que elas emitem devem ser sempre e adequadamente analisados e valorizados, prevenindo-se deste modo situações que podem pôr causa a coesão e tranquilidade sociais”, sublinhou, destacando o papel do Governo neste processo, nomeadamente através do “diálogo com os parceiros sociais”, que “é de suma importância”.

“Não apenas para os convencer da razoabilidade de suas opções mas também para conhecer as suas propostas e expectativas. Entendo serem esses os pressupostos da concertação social, espaço que deve proporcionar aos diferentes agentes, nem sempre portadores de interesses convergentes, a possibilidade de adequação desses interesses aos recursos disponíveis, sempre limitados, relativamente às necessidades”, disse ainda o Presidente da República.

Jorge Carlos Fonseca destacou que a democracia instituída em Cabo Verde há 29 anos é um motivo de orgulho que não pode ser beliscado de forma nenhuma, apesar das necessidades que os mais carenciados ainda enfrentam no país, ao nível da saúde, da habitação e da segurança.

A data de 13 de Janeiro, como facto histórico, assinala as primeiras eleições multipartidárias realizadas em Cabo Verde em 1991.

Com Lusa

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