Antologia: Claridade e Modernidade Literária Caboverdiana – Os Fundadores apresentado em São Vicente – Berço do movimento

17/12/2019 01:23 - Modificado em 17/12/2019 01:23
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Lançado em São Vicente, esta segunda-feira, a obra que é uma homenagem e um reconhecimento aos três fundadores da Revista Claridade, Baltazar Lopes, Manuel Lopes da Silva e Jorge Barbosa.

São redações destes fundadores da revista Claridade, Baltazar Lopes, Manuel Lopes da Silva e Jorge Barbosa são publicações em texto e prosa publicados em varias publicações não só na revista Claridade, mas também no almanaque Luso-Brasileiro, Boletins de Cabo Verde e outras publicações e revistas até ao ano de 1978.

A Antologia é da Academia Cabo-verdiana de Letras, que segundo o seu presidente, a escolha do local está cheio de simbolismo, visto que São Vicente era a base da Claridade. “Era aqui que residiam os principais atores”, refere David Hopffer Almada que considera esta uma cerimónia de reconhecimento e homenagem no sítio onde aconteceu”.

Surgido na década de 1930, o movimento Claridoso marcou o início do “modernismo em Cabo Verde. Foi um movimento intelectual que tentava demonstrar a predominância de uma cultura nacional. A cabo-verdiana”.

“A Claridade” foi uma revista literária surgida em 1936 na Cidade do Mindelo, Ilha de São Vicente, e que está no centro de um movimento de emancipação cultural, social e política da sociedade cabo-verdiana cujos responsáveis foram Manuel Lopes, Baltasar Lopes da Silva e Jorge Barbosa.

Segundo, Jorge Carlos Fonseca, citando os escritores, o movimento foi o percursor do surgimento de uma literatura cabo-verdiana autónoma, considerado um momento “particularmente bom na nossa literatura”.

A cerimónia, em parceria com a Câmara Municipal de São Vicente, é para “recordar aqueles que num determinado momento da nossa história souberam ler e interpretar o pulsar do seu tempo e dar voz às ansiedades quotidianas de um Cabo Verde em busca de rumo”.

Estes escritores, segundo o Chefe de Estado, trazem novos olhares e preocupações e cuja obra nos engrandece e honra.

Essas figuras maiores, que estiveram por detrás da Claridade possuíam, no entender de Jorge Carlos Fonseca, uma visão mais cosmopolítica e crítica da situação vivida nas ilhas, “optaram por preencher os seus textos com a terra do chão pisado, o sal do seu próprio mar, dignificando o mundo que os circundava”.

Liderados por Manuel Lopes da Silva, Baltazar Lopes e Jorge Barbosa, este grupo de intelectuais comprometidos coma a sua terra “dá início à postura de emancipação cultual e política desenvolvendo a consciência social, decidida a denunciar e a mudar o estado das coisas”.

Portanto, acrescenta que este é um momento em que a literatura cabo-verdiana encontra o seu caminho incorporando um discurso identitário capaz de fazer a síntese entre as diversas heranças culturais e civilizacionais recebidas e que estão na génese da formação do povo das ilhas.

“Consciente das necessidades comuns escreveram livros, poemas e ficção e ensaios, apostando neste celeiro da vida, nessa época dos anos 30 quando a morna começava a adotar a estrutura que conhecemos hoje, a nossa literatura também encontrava o seu espaço de implantação de excelência, foi este momento em que o escritor cabo-verdiano foi capaz de explorar todos os sinais que vinham do seu redor para explicar e elevar o vasto mundo e os silêncios à sua volta”.

Do ponto de vista literário, a Claridade veio não só revolucionar de um modo exemplar toda a literatura cabo-verdiana com também marcar o início de uma fase de contemporaneidade estética e linguística, superando o conflito entre o Romantismo de matriz portuguesa — dominante durante o século XIX — e o novo Realismo.

Elvis Carvalho

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