VBG na adolescência: Relacionamentos com base na violência é preciso que seja denunciado e não ocultado

11/12/2019 00:35 - Modificado em 11/12/2019 00:35
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Conforme a Associação Cabo-verdiana de Luta Contra Violência Baseada no Género (ACLCVBG), a violência na adolescência é muito mais perversa, em virtude da posição de maior vulnerabilidade da adolescente, que é indefesa e dispõe de poucos mecanismos de protecção.

A Violência Baseada no Género (VBG) é um fenómeno pouco visível no namoro entre os adolescentes e raramente é identificado se a vítima não denunciar ou procurar apoio junto de entidades responsáveis, afirma Suzi Fortes colaboradora da ACLCVBG.

Para alguns adolescentes da Escola Secundária Pedro Gomes, citados pela Inforpress na apresentação do projecto “Namora Ku Love”, o Ministério da Educação deveria incluir no programa educativo temas sobre VBG para que possam ter melhor conhecimento da causa.

Estes acreditam que a violência, seja física ou verbal, deve ser denunciada e que mulher nenhuma deve submeter-se à vontade do homem e chegar ao ponto de ser violada de diversas formas. “Quando um relacionamento acontece com base na violência é preciso que seja denunciado, e não ocultado”.

E pelo facto deste ser um fenómeno crescente, acreditam que é preciso que as pessoas que sofrem com a VBG devem denunciar e não deixar que sejam intimidadas.

Um estudo sobre violência no namoro no meio académico cabo-verdiano, apresentado este ano, indicou números que mostram que um em cada quatro estudantes universitários já usou da força física e mais de metade recorreu à violência psicológica sobre o(a) companheiro(a).

“Um em cada quatro estudantes admite que já empurrou ou apertou o/a companheiro/a (27.6% agressores e vítimas), ou seja, usou da força física. Mais de metade dos estudantes afirmaram que já gritaram ou berraram com o seu/sua companheiro/a (59.9% agressores/as e 56.1% vítimas), o que configura violência psicológica”, cita o documento.

O estudo mostrou ainda que 28,8% dos/das jovens assumiram que insultaram ou rogaram pragas ao/a seu/sua companheiro/a e 26,9% disse ter sido vítima desses comportamentos, enquanto 31,9 % assumiu que já chamou feio/a e/ou gordo/a ao seu/sua companheiro/a, e 24,5% admite já ter sido vítima desse comportamento.

O projecto “Namoro ku Love” tem a duração de um ano e é financiado pela Embaixada da Holanda e CV Telecom.

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