Violência sexual e assédio um fenómeno que necessita ser trabalhado em Cabo Verde

10/12/2019 00:26 - Modificado em 10/12/2019 00:26
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Para a presidente da Associação Cabo-verdiana de Luta Contra Violência Baseada no Género (ACLCVBG), a Violência sexual e assédio sexual são fenómenos que necessitam ser trabalhados em Cabo Verde, a começar pelos dados.

“O Governo, mais do que ninguém, deveria afectar recursos para que as associações que têm estado a trabalhar a temática possam fazer mais, assim como as leis e quem penaliza”, disse, sublinhando que a violência sexual é uma “grave violação” dos direitos humanos e com um impacto “devastador a curta e longa data”.

“Cabo Verde, nesta questão não foge à regra, existe denúncia de muitas violências e assédios sexual, que recai, sobretudo, sobre adolescentes e mulheres adultas. Infelizmente, não existe estudo e nem dados para falarmos da percentagem e de um número real”, acrescentou.

Sem dados, admite não poder avançar o número de vítimas que a associação recebe, mas assegura ser um número muito elevado e que necessita de um outro olhar do Governo, da sociedade e de todos.

Vicenta Fernandes revelou à Inforpress que a Associação tem recebido várias denúncias de jovens e mulheres e que a constatação da equipa multidisciplinar que trabalha o tema, é que esse tipo de abuso leva a que a vítima se torne numa pessoa com “doenças, com traumas, depressão e tristeza”, transformando-se em “alguém frustrada e com queda de viver uma vida sem amor, o que, muitas das vezes, acaba por levá-la à morte”.

Vicenta Fernandes assegurou, ainda, que no caso de violência sexual e assédio, a realidade no arquipélago é bem diferente da que se projecta, visto tratar-se de um crime “complexo” e que muitas das vezes não é denunciado.

A responsável da ACLCVBG reconhece que o país possui uma lei “muito boa” sobre a Violência com Base no Género (VBG) desde 2011, mas que precisa de maior divulgação.

“Precisamos chegar a sítios certos, às vítimas e agressores para que saibam que a lei penaliza acções de violência. Nós, enquanto associação, queremos fazer essa divulgação, mas não podemos, se continuarmos a depender apenas de apoio internacional”, afirmou.

Vicenta Fernandes teceu estas considerações hoje, em declarações à Inforpress, no âmbito da assinalação dos eventos que marcam os 16 Dias de Activismo contra a Violência de Género, que este ano tem como tema “Geração Igualdade contra a violência sexual!”.

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