Testemunhas revelam crimes de Jammeh durante os 22 anos de poder na Gâmbia

4/12/2019 13:36 - Modificado em 4/12/2019 13:36

A Comissão da Verdade da Gâmbia ouviu testemunhos de que o antigo presidente Yahya Jammeh foi responsável por numerosos crimes graves durante os 22 anos do seu mandato, informou hoje a Human Rights Watch.

Entre os vários crimes atribuídos a Yahya Jammeh conta-se a morte e a tortura de opositores políticos, o assassinato de 56 migrantes da África Ocidental e uma “caça às bruxas” durante a qual centenas de mulheres foram arbitrariamente detidas. Jammeh terá igualmente violado mulheres que lhe foram trazidas.

Na quinta-feira, a Comissão da Verdade, Reconciliação e Reparações da Gâmbia completa o primeiro ano de audições públicas televisivas.

Estas audiências, que incluíram o testemunho de vítimas e antigos funcionários do governo, destacam a necessidade de uma investigação criminal de Jammeh, que viveu no exílio na Guiné Equatorial desde a sua partida da Gâmbia, em janeiro de 2017.

A Human Rights Watch também lançou hoje um novo vídeo, intitulado “Verdade e Justiça na Gâmbia”, o qual destaca o trabalho da Comissão da Verdade e a procura de justiça pelas vítimas.

“A Comissão da Verdade está sistematicamente a reunir provas dos supostos crimes de Yahya Jammeh”, disse Reed Brody, advogado da Human Rights Watch, que trabalha com as vítimas de Jammeh.

“Graças ao trabalho da comissão e à coragem dos sobreviventes, todos os dias sabemos mais sobre os horrores e a brutalidade que os gambianos sofreram durante 22 anos”, disse.

Até 28 de novembro, a Comissão da Verdade ouviu 168 testemunhas, incluindo 74 antigos elementos do governo, como quatro ministros, o chefe da polícia, o chefe do protocolo, um guarda-costas presidencial e membros da junta militar.

Por Lusa

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