Dia Nacional da Morna: Maior desafio será a materialização do plano de salvaguarda

3/12/2019 14:10 - Modificado em 3/12/2019 14:10
Foto: Inforpress

O presidente do Instituto do Património Cultural (IPC) Hamilton Jair Fernandes adiantou hoje em entrevista à Inforpress, que depois da inscrição da morna na lista indicativa de património mundial, o maior desafio será a materialização do plano de salvaguarda.

O maior desafio é, após a classificação, segundo Hamilton Fernandes, embora defenda que seja possível cumprir com os compromissos na íntegra, há a necessidade de implementar o plano de salvaguarda.

“O plano de salvaguarda tem o seu custo e é necessário alocar recursos para o efeito. É necessário mobilizar a sociedade civil em torno da implementação da convenção, particularmente do plano da salvaguarda. É preciso apostar na questão da formação, na investigação, na criação de centros de estudo ligados à temática, neste caso a morna”.

De acordo com Hamilton Fernandes, a internacionalização da morna é uma questão importante, alegando que de uma forma cabe aos artistas este papel de protagonista na internacionalização deste género.

Para este, é necessário trabalhar na questão do turismo cultural, na Casa da Morna, no Museu da Morna, envolvendo os hotéis, restaurantes e bares, que de uma forma, como diz, acabam por ser promotores e beneficiários dessa inscrição da morna a património mundial.

No que toca a cota da audiência das músicas cabo-verdianas, em especial a morna, nos meios de comunicação social no país, o presidente do Instituto do Património Cultural salientou que nos últimos anos tem havido uma inversão das tendências, isto é, cada vez mais as músicas tradicionais estão a ser passadas nas emissoras nacionais.

No entanto Jair Fernandes defende que é possível ter um espaço especial da morna e, quiçá, passar a representar pelo menos 60 a 70% do que são as músicas que passam diariamente nas rádios nacionais e nas televisões públicas e privadas.

“É preciso educar para a cultura e nada melhor que a comunicação social, tendo em conta o seu alcance, mas julgo que agora, com a inclusão da morna na lista do património da humanidade, creio que essa tendência vai fazer valer, ou seja, deparamos hoje em dia com mais pessoas que querem a morna e querem fazer morna, seja cantores, compositores, músicos, e há uma camada juvenil muito mais preparada para assumir e consumir a cultura cabo-verdiana, particularmente a morna”.

O Dia Nacional da Morna foi instituído em 2018 e a escolha recaiu no dia 03 de Dezembro, data em que nasceu Francisco Xavier da Cruz, mais conhecido por B. Léza, considerado um dos maiores compositores deste género musical.

Assinala-se hoje o Dia Nacional da Morna, faltando apenas algumas semanas para que se conheça a decisão da Unesco sobre o processo de candidatura da morna a Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Com Inforpress

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2019: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.