Cabo Verde tenta adaptar pesca artesanal com motores elétricos a partir de 2020

29/11/2019 02:15 - Modificado em 29/11/2019 02:16

O Governo estima poupar 3.000 toneladas de combustíveis fósseis e cortar 15.000 toneladas anuais na libertação de dióxido de carbono com a instalação de motores elétricos nos 1.300 botes de pesca que existem no país.

Em causa está um projeto piloto que vai arrancar em janeiro, desenvolvido pelo Governo cabo-verdiano em conjunto com a empresa alemã Torqeedo, apresentado hoje na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, no âmbito da segunda edição do Cabo Verde Ocean Week.

Segundo António Barbosa, assessor do ministro da Economia Marítima para área dos transportes marítimos e que coordena este projeto desde 2015, 80% dos 1.600 botes que existem atualmente em Cabo Verde são motorizados, sendo objetivo deste projeto piloto sensibilizar os pescadores para as potencialidades dos motores elétricos, em alternativa aos convencionais, que recorrem a combustíveis fosseis.

“Por cada bote, a bateria e o motor custam cerca de mil contos (9.000 euros), mas o retorno desse investimento é realizado em pouco mais de um ano”, explicou o responsável, sublinhando a importância deste projeto pelas questões ambientais, na redução das emissões de dióxido de carbono, e na balança de pagamentos de Cabo Verde, com o corte na importação de combustíveis fósseis.

O projeto piloto governamental, que arranca na ilha de São Vicente em janeiro, no âmbito do programa de transição energética definido pelo Governo cabo-verdiano, prevê duas baterias em cada barco e um motor elétrico de baixa potência. Estão ainda a ser estudadas formas de financiar a aquisição destes sistemas com incentivos fiscais como já acontece com as viaturas elétricas.

“Estamos a tentar convencer os pescadores, na construção dos botes, a contemplar um painel solar, na ordem dos 500 a 1.000 watts, funcionando como um tejadilho para dar sombra também. E para carregar as baterias”, acrescentou.

O sistema está assente na recarga das baterias através de painéis solares, mas está em cima da mesa igualmente a possibilidade de carregamento através de pontos em terra, a instalar pelas associações de pescadores.

Este projeto-piloto está essencialmente voltado para a pesca artesanal cabo-verdiana, afetada pela “volatilidade” do preço da gasolina, o principal combustível destes motores.

“A ideia é substituir esses motores [de combustão] por motores elétricos. Há que explicar aos pescadores as vantagens, o que está em causa”, sublinhou António Barbosa.

Por Lusa

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