Alcides Graça: “Estou confiante numa vitória confortável no próximo domingo”

22/11/2019 00:16 - Modificado em 22/11/2019 00:16

O jurista Alcides Graça vai concorrer ao seu terceiro mandato à frente da Comissão Política Regional (CPR) do PAICV em São Vicente, nas diretas de 24 deste mês, tendo como adversário Nilton César Silva, professor licenciado em Geografia. Num exclusivo ao NN, o candidato que está à frente do partido na ilha desde 2013 promete consolidar o partido e catapultá-lo para as vitórias nas eleições que se avizinham.

Notícia do Norte -Como está a decorrer a campanha para a eleição da CPR de São Vicente.

Alcides Graça– A campanha está a decorrer muito bem, seguindo o ritmo do nosso cronograma de trabalho. Temos trabalho feito e temos propostas para o futuro. Acho que qualquer candidato a uma região política como a de São Vicente, pela importância que tem no contexto nacional, deve estar à altura dos exigentes desafios do Partido nesta região. Deve contar com as suas capacidades, e, sobretudo, apresentar propostas arrojadas e inovadoras para catapultar o PAICV para o lugar que merece estar.

Nas nossas atividades de campanha, devo dizer que já percorremos todos os grupos de base, nas zonas urbanas e rurais, onde temos militantes. Nas redes sociais criamos uma página no Facebook, onde temos estado bastante ativos, inovando inclusivamente no apelo ao voto, com vídeos bem conseguidos de apoio à candidatura, com um grande impacto junto dos militantes, amigos e simpatizantes. Iniciamos na segunda-feira os vídeos com os candidatos à Comissão Política Regional, para que os militantes possam conhecê-los e, em função disso, exercer o seu direito de voto consciente. Na semana passada fizemos alguns encontros convívios com os militantes nas zonas que consideramos estratégicas para reforçar o apoio à nossa candidatura.

NN- Tem sentido o apoio dos militantes?

AG-Temos sentido um conforto muito grande dos nossos militantes, mas também de amigos e simpatizantes do partido que reconhecem o trabalho feito e manifestam o seu apoio à nossa continuidade para garantir a estabilidade aos trabalhos realizados. É preciso lembrar, sobretudo aqueles que andam distraídos, o trabalho realizado durante os dois mandatos (2013 – 2019).

Em 2013, quando fui eleito para Presidente da Comissão Política Regional, encontrei um Partido endividado, desorganizado e sem sede regional, uma vez que por decisão do meu antecessor foi encerrada a sede na Rua Machado (cidade), alegadamente porque não tinha condições para acolher o partido nesta Região, e passamos a partilhar a sede da JPAI, em Chã de Cemitério;

Encontrei uma dívida avultada, mais 100.000$00, de rendas em atraso, com ameaças de despejo pelo senhorio. A primeira coisa que fiz foi a elaboração de um plano de pagamento das rendas em atraso. Não ficaria bem a um partido como o PAICV ter rendas em atraso, correndo o risco de ser despejado a qualquer momento. Conseguimos liquidar todas as dívidas de rendas em atraso, mas ainda estamos a pagar uma dívida de campanha com a Telecom.

Ao mesmo tempo, tomamos a decisão de mudar para a nossa sede na cidade (Rua Machado) como forma de estancar a dívida, reduzir os custos de funcionamento e restituir alguma dignidade ao Partido.

A sede recebeu algumas obras de restauração e mudamos para Rua Machado, conferindo centralidade e mais dignidade ao partido.

O Partido não tinha receitas próprias, pois funcionava com contribuições de alguns militantes, amigos e simpatizantes. Era com as generosas ajudas de alguns militantes, que não tinha dia para entrar, e nem certeza da sua entrada, que o Partido pagava os seus funcionários e as despesas de funcionamento, tais como água, luz, materiais de limpeza, etc.

Um Partido como PAICV não poderia funcionar na dependência do apoio, incerto, de alguns militantes. Por isso, desencadeamos uma ampla campanha de angariação de militantes pagantes de quotas mensais. A campanha sob o lema “quota segura e confortável”. Teve um enorme sucesso, pois conseguimos angariar cerca de 150 pessoas que pagam regularmente as suas quotas, o que permite uma previsão de receitas e  consequentemente de despesas.

Tenho muito orgulho em dizer que somos a única estrutura do partido que tem autonomia financeira. Não pedimos nada ao Secretariado Nacional para o nosso funcionamento. 

Resolvido o grave problema de dívidas e sustentabilidade financeira do Partido, passamos para a parte organizativa.

Assim, renovamos todas as estruturas do Partido, Setores Nortes e Sul, Federação de Mulheres Norte e Sul e recuperamos a JPAI que estava desativada e sem dirigentes.

Posteriormente, foram renovados todos os secretários coordenadores dos Grupos de Base Norte e Sul. No Sul chegamos inclusivamente a criar alguns grupos de base.

Os órgãos do Partido passaram a funcionar nos termos estatutários, com reuniões ordinárias, atas, etc.

A Assembleia Ordinária anual para a prestação de contas, e aprovação dos instrumentos de trabalho, orçamento e plano de atividades anuais, passou a ser uma realidade.

Esta é a única Região Política do PAICV onde se presta contas aos militantes todos os anos religiosamente.

Instituímos a comemoração do dia 5 de julho no nosso calendário político. Esta data emblemática passou a ser celebrada nas ruas, com chamada “Marcha da Independência”.

A gala Cantar Cabral foi outro evento que foi instituído no nosso calendário político.

Concebemos e idealizamos a transformação do Partido numa fonte geradora de rendimento e de emprego. Hoje temos todos os projetos e o estudo de viabilidade para construir uma sede de raiz, que pode proporcionar ao Partido boas condições para gerar rendimentos próprios. Este ambicioso projeto só não foi concretizado porque a Direção Nacional do Partido onerou a sede para outros fins.

Não sendo possível, por agora, a construção da sede regional de raiz, desencadeamos uma campanha de apoio para a restauração da nossa sede. Foi um sucesso, a prova disso é a nossa sede que está de cara lavada e condições dignas para o nosso Partido.

Está em curso também o projeto da sala de leitura e de formação profissional de curto e medio prazo. A ideia é transformar a sede num espaço atrativo para os jovens estudantes e formandos nos diversos domínios profissionais.

No campo político, e enquanto Presidente da Comissão Política Regional e líder da bancada do PAICV em S. Vicente, dei combate sem tréguas à Câmara de Augusto Neves, quer na Assembleia Regional, quer nos órgãos de comunicação social. Nessa qualidade visitei por diversas vezes todos os bairros de São Vicente, contactando a população, militantes, amigos e simpatizantes num árduo trabalho político.

Fizemos com regularidade muitas reuniões com os grupos de base, realizamos atividades políticas nos diversos bairros. Os militantes reconhecem o trabalho feito, e é por isso que a nossa candidatura tem merecido o reconhecimento e o apoio da esmagadora maioria dos militantes, amigos e simpatizantes, o que aproveitamos para agradecer.

NN-A sua equipa está constituída de que forma?

AG-Temos uma grande equipa para a Comissão Política Regional, que é constituído por gente séria, idónea, competente, comprometida com os princípios e valores do Partido: como Vice-presidente tenho duas grandes mulheres: Arlinda Medina e Celeste da Paz: como Vogal tenho Óscar Melicio, Jorge Tienne Cardoso, Eneida Vitória, José Cândido, Maria da Luz Monteiro, Henrique Rendall, Cristalina Rodrigues e José António Mascarenhas. Uma equipa claramente ganhadora e que muito pode contribuir para a felicidade dos militantes do PAICV em São Vicente, garantindo vitórias nos próximos embates eleitorais.

NN- No tocante as eleições autárquica e legislativa se vencer como irá posicionar a sua equipa?

AG-São duas eleições muito importantes para o Partido, tendo e conta os últimos resultados eleitorais. Por isso têm de ser encaradas com muita responsabilidade e sem demagogia política. Sabemos que as eleições autárquicas antecedem as eleições legislativas, e que estas podem ser influenciadas por aquelas. Daí a grande importância das eleições autárquicas. Eu tenho defendido, e continuo a defender, que o Partido deve apresentar nas eleições autárquicas com o seu melhor candidato. E o melhor candidato é aquele que vai de encontro à vontade do Povo. O povo de São Vicente tem que opinar neste particular. Por isso, uma sondagem para auscultar o povo será determinante, embora não decisiva, para a escolha dos próximos candidatos à Câmara e à Assembleia Municipais. Só depois de uma sondagem, credível e confiável, e com base nela a CPR tomará certamente a melhor decisão sobre o assunto. Uma coisa é certa, os interesses do PAICV estarão sempre em primeiro lugar. 

No entanto, estamos convictos de que só o candidato, por melhor que seja não ganha uma eleição. Por isso, é fundamental qua haja uma estratégia política para o PAICV sair vitorioso nas próximas eleições autárquicas. E aqui entra as nossas propostas estruturantes, estratégicas e inovadoras. A título de exemplo deixo aqui apenas três propostas importantes que fazem parte da nossa plataforma:

1. Na nossa plataforma, propomos a transformação da nossa sede num centro de concentração de jovens, para criar vínculos com a juventude através de formações de curta e média duração. Isto é fundamental para rejuvenescer o Partido, por um lado, e conseguir uma almofada da juventude comprometida com o Partido, para o combate político nas próximas eleições autárquicas. Até setembro do próximo ano, pretendemos formar cerca de duzentos jovens na nossa sede, que está a ser preparada para receber as formações como disse anteriormente.

2. A nossa segunda proposta é atingir 5.000 (cinco mil) militantes até 2022. Nenhum Partido consegue resultados sem ter uma ampla base de militantes comprometidos e engajados com o Partido. Logo a seguir às eleições, que esperamos ganhar, vamos arrancar com uma campanha “cada militante + um militante”; a ideia é que os cerca de 2.500 militantes consigam angariar, pelo menos, um militante. Com isso, pretendemos atingir o objetivo dos 5.000 militantes. Com esta base, estou certo que ficaremos muito próximos de vencer eleições autárquicas. Vencendo as autárquicas estaremos numa boa posição para vencer as legislativas.

3. Reforçar o contato com as bases, aproveitando esta embalagem das eleições internas, por forma a motivar os militantes, amigos e simpatizantes. Nesses contatos serão identificados os líderes locais, com os quais iniciaremos um trabalho de compromisso para as eleições. Isto é muito importante para ganhar os bairros e as eleições.

NN- Que objetivos maiores têm traçado para o PAICV em São Vicente.

AG-O maior desafio do PAICV em São Vicente é a coesão interna. Este foi, e continuará a ser, sempre o meu apanágio no Partido. Desde que entrei tenho procurado por todas as vias encontrar uma plataforma de entendimento. Consegui alguns resultados, mas ainda podemos conseguir muito mais. Naturalmente que ninguém é obrigado a juntar-se ao Partido. Mas todos devem disponibilizar-se para, caso forem chamados, darem o seu contributo

Contudo, a coesão interna não pode ser confundida com a unanimidade. Nunca, e nem é desejável, será alcançada a unanimidade no Partido. Haverá sempre vozes discordantes, e é salutar que assim seja. Um bom exercício de um mandato depende das críticas construtivas da oposição interna, séria e responsável. Temos que naturalizar as críticas e conviver com elas tranquilamente.

Sonho com um partido inclusivo, onde todos têm espaço para participar, coeso, mesmo na diversidade, porque aquilo que nos une é certamente maior do que as nossas diferenças. Ninguém pode recear a oposição interna e nem tentar silenciar vozes discordantes. O fortalecimento do partido depende da dinâmica da sua democracia interna e na multiplicidade de vozes.

NN- Se perder as eleições existe a abertura para se juntar aos vencedores para fazer face aos desafios que se avizinham?

AG-Espero ganhar as eleições de domingo, porque sinto isso no contacto com os militantes. A nossa equipa de campanha tem trabalhado bastante, não só levando uma mensagem positiva, apresentando as nossas propostas, mas também desconstruindo uma mensagem negativa perversa que a outra candidatura tem plantado no terreno.

Estou, por isso, confiante numa vitória confortável no próximo domingo, sendo certo que aceitarei com toda a humildade o veredito do povo do Partido.

Se eventualmente não sair vitorioso nas eleições do dia 24 de novembro, deixo aqui a minha total disponibilidade para trabalhar com o PAICV em quaisquer circunstâncias, e estarei sempre disponível para dar o meu contributo, enquanto militante, lá onde entenderem por bem.

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