Funerais em massa para os vivos: a nova moda na Coreia do Sul

19/11/2019 01:39 - Modificado em 19/11/2019 01:39
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Uma agência funerária oferece funerais gratuitos aos sul-coreanos. Com apenas uma condição: têm de estar vivos

Foto: REUTERS/HEO RAN

Mais de 25.000 pessoas já participaram nos serviços de “funerais dos vivos” no Centro Terapêutico de Hyowon desde que este abriu em Seul, em 2012. Parece uma bizarria mas o propósito deste evento é altruísta: pretende-se melhorar as vidas através da simulação da morte, como se pode ler num artigo da Reuters.

A simulação inclui estar dentro de um caixão selado a pregos durante 10 minutos. Há pessoas que ficam aflitas, ansiosas, histéricas, mas nem assim a experiência é interrompida.

“Quando tomamos consciência da morte, e a experienciamos, conseguimos alcançar uma nova abordagem da vida”, afirmou um dos participantes à Reuters, Cho-Jae-hee, de 75 anos, que entrou através do centro de dia onde está inscrito e que tem um programa intitulado “Morrer Melhor”.

A Coreia do Sul tem uma taxa de suicídios de 20.2 por 100.000 habitantes, quase o dobro da média global de 10.53, segundo a Organização Mundial de Saúde

São às dezenas os que participam de uma única vez no evento, desde adolescentes a reformados, num serviço que inclui fotografia, os últimos testamentos e a experiência claustrofóbica do caixão.

O estudante universitário Choi Jin-Kyu contou que o tempo que passou dentro do caixão o ajudou a perceber que muitas vezes via os outros como competidores ou seus rivais. “Quando estava dentro do caixão pensei em qual era o objetivo dessa forma de estar na vida”, adiantou o estudante de 28 anos. Depois desta experiência, Choi decidiu retomar os seus planos de montar um negócio próprio depois da licenciatura em vez de tentar entrar num mercado altamente competitivo.

A agência funerária Hyowon começou a oferecer os “funerais para vivos” para ajudar as pessoas a apreciarem melhor as suas vidas e a procurar o perdão e a reconciliação com a família e amigos, explicou Jeong Yong-mun, que dirige o Centro Terapêutico. “Nós não temos a eternidade. Por isso acho que esta experiência é muito importante: podemos pedir desculpas e reconciliarmo-nos mais cedo e viver o resto das nossas vidas felizes”.

Por Plataforma

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