Agência de notação financeira Fitch diz que venda de ações da Cabo Verde Airlines pode ser prejudicada por falta de interessados

8/11/2019 01:18 - Modificado em 8/11/2019 01:18
| Comentários fechados em Agência de notação financeira Fitch diz que venda de ações da Cabo Verde Airlines pode ser prejudicada por falta de interessados

A agência de notação financeira Fitch considerou hoje que a privatização da totalidade das ações da transportadora aérea de Cabo Verde pode ser prejudicada devido à falta de interesse estrangeiro e ao pequeno mercado interno.

“O Governo planeia vender o resto das ações da TACV (Cabo Verde Airlines) e privatizar outras empresas públicas, mas acreditamos que esta intenção pode ser prejudicada pela existência de um pequeno mercado interno e limitado interesse dos investidores estrangeiros”, escrevem os analistas da Fitch num relatório sobre os ‘ratings’ na África subsaariana.

No documento, enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, a Fitch lembra que o Governo vendeu 51% da transportadora em março e que, apesar de ainda ter 105 milhões de euros de dívida antiga da companhia, pode reduzir o montante das transferências futuras.

As empresas públicas, de resto, são apresentadas como um dos maiores perigos à estabilidade financeira do arquipélago, com as dívidas destas empresas a representarem 26% do PIB, dos quais 7% são garantidos pelo Estado.

De acordo com a mesma fonte, a agência de notação financeira atribui uma nota B, com Perspetiva de Evolução Estável, destacando que “o ‘rating’ equilibra a elevada dívida pública e endividamento externo, as vulnerabilidades das grandes empresas públicas e a grande dependência do turismo, face a uma governação forte, maturidades longas e um serviço da dívida baixo relativamente à dívida pública externa”.

Cabo Verde é um dos países com um rácio da dívida pública face ao PIB mais elevado, representando 123% no final do ano, o dobro da média de 58% registada pelos países com um ‘rating’ de B pela Fitch, mas os analistas apontam que “o rácio deve descer para menos de 100% do PIB em 2025 se o governo aderir à estratégia de consolidação orçamental e controlar os custos das empresas públicas”.

Em termos de crescimento económico, a Fitch estima uma expansão da economia na ordem dos 5% entre este ano e até 2021 ligeiramente abaixo dos 5,5% registados no ano passado, e salienta que “investimentos importantes na conectividade marítima e aérea podem aumentar ainda mais o potencial de crescimento” do arquipélago.

No documento, a Fitch escreve ainda que apesar de a dívida externa representar 41% no final do ano passado, um valor considerado “elevado”, os riscos são mitigados por serem empréstimos concessionais, pelo câmbio fixo do escudo face ao euro e por reservas robustas em moeda estrangeira.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2020: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.