O rei tem 14 mulheres, anda em carros de luxo e o povo vive sem luz e água

2/11/2019 23:26 - Modificado em 2/11/2019 23:26

A antiga Suazilândia vive uma forte crise financeira com dois terços da população na pobreza. Mas o palácio real adquiriu uma nova frota de carros de luxo

No reino de eSwatini, nome que passou a designar a antiga Suazilândia por vontade do rei Mswati III, o momento é de crise, de falta de luz, água e de outros bens essenciais para uma população mergulhada na pobreza. Dois terços dos 1,2 milhões de habitantes do reino da África Austral são pobres e a esperança de vida é de apenas 56 anos. Foi por isso com “estupefacção” que os sindicatos viram na semana passada uma nova frota de carros de luxo chegar ao palácio real, como reportou o Le Monde Áfrique.

Na quinta-feira, 31 de outubro, dia em que os funcionários públicos voltaram às ruas da capital Mbabane para reivindicar melhores salários, o rei de eSwatini recebia uma nova e reluzente frota automóvel com modelos topo de gama de marcas como a Rolls Royce.

No poder desde 1986, o rei Mswati III, de 51 anos, tem 14 mulheres e mais de 25 filhos. É conhecido por ser um “punho de ferro” mas também pelas suas extravagâncias e estilo de vida faustoso, como descreve o jornal francês.

A central sindical Turocswa manifestou a sua “grande estupefacção” na quinta-feira passada, perante a chegada da nova frota automóvel real que, segundo fonte oficial ao Le Monde Áfrique, não foi adquirida com verbas públicas mas através de um fundo gerido pela família real e que é alimentado pela venda de bens próprios. “Esta aquisição acontece num momento em que o país está sob fortes restrições financeiras. Nós não precisamos de carros. Os Rolls Royce são um luxo (…) Precisamos de alimentos básicos, de luz, água e de combustíveis a preços acessíveis”, comunicou a central sindical, acrescentando que os salários dos funcionários públicos estão estagnados há três anos.

Mswati III é o último monarca absoluto de África. Organizações de direitos humanos criticam o seu Governo há anos. Os partidos da oposição são proibidos, os críticos desaparecem atrás das grades e a liberdade de imprensa é limitada, como reportou a agência DW, a propósito da comemoração dos 50 anos da independência do país, em setembro do ano passado, que foram assinalados com a mudança do nome para eSawatini.

Por Plataforma

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