Estereótipos raciais continuam a fomentar violações de direitos

30/10/2019 15:34 - Modificado em 30/10/2019 15:34

Os estereótipos raciais e as caracterizações negativas dos afrodescendentes, criadas para justificar a escravidão, continuam a prejudicar os africanos e fomentar a violação dos seus direitos, defendem peritos das Nações Unidas.

“Acapacidade de as pessoas usufruírem de direitos humanos fundamentais é drasticamente restringida por preconceitos raciais na tomada de decisões baseadas em falsas crenças”, defendeu Ahmed Reid, perito independente que preside ao Grupo de Trabalho de Especialistas em Pessoas Afrodescendentes.

“O enviesamento tem um impacto tão sistémico que as pessoas acabam por enfrentar desafios semelhantes em países diferentes”, acrescentou.

O Grupo de Trabalho apresentou, na terça-feira, na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, um relatório que estabelece o contexto histórico dos estereótipos raciais e as obrigações dos Estados na sua abordagem num contexto dos direitos humanos.

O relatório analisa a forma como a visão sobre estas pessoas é deturpada e a ligação desta perceção com o incitamento ao ódio e aos crimes de ódio, destacando como “áreas de preocupação” os estereótipos na comunicação, incluindo na publicidade.

O impacto negativo dos estereótipos raciais e de direitos humanos, nomeadamente na justiça e na vida económica, social e cultural, é outro aspeto destacado no relatório.

“Temos de compreender e reconhecer o mal que estes estereótipos raciais causam antes de podermos garantir o respeito, a proteção e o cumprimento dos direitos humanos das pessoas de ascendência africana”, disse Reid.

Para o perito das Nações Unidas, os Estados-membros devem adotar medidas firmes para contrariar “qualquer tendência dos agentes da lei, políticos e educadores para atingir, estigmatizar, ou promover estereótipos sobre pessoas de ascendência africana com base na raça”.

Defende também a “rejeição forte” de qualquer incitação à discriminação ou à violência contra pessoas de ascendência africana, incluindo ‘online’.

Os especialistas adiantam que as crianças em idade escolar enfrentam também discriminação indireta através de imagens negativas nos materiais didáticos, recomendando, por isso, o ensino da História e cultura dos povos africanos, bem como do comércio transatlântico de escravos.

Sublinhada é igualmente a importância de tornar o ensino cultural e linguisticamente relevante para as crianças de ascendência africana.

O Grupo de Trabalho de Peritos sobre Pessoas Afrodescendentes foi criado em 25 de Abril de 2002 pela então Comissão de Direitos Humanos, na sequência da Conferência Mundial contra o Racismo realizada em Durban em 2001.

É composto por cinco peritos independentes: Ahmed Reid (Jamaica), Dominique Day (Estados Unidos da América), Michal Balcerzak (Polónia), Sabelo Gumedze (África do Sul), e Ricardo Sunga III (Filipinas).

Por Lusa

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2019: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.