Sal: Doze cidadãos estrangeiros detidos nos últimos três meses pela PJ na posse de drogas

29/10/2019 02:31 - Modificado em 29/10/2019 02:31
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Nos últimos três meses a ilha do Sal, um dos principais centros urbanos do país, registou a prisão de 12 cidadãos estrangeiros na posse de droga. Detenções feitas pela Polícia Judiciária, sendo a maioria originários da costa ocidental africana e sul-americanos, onde se destacam seis nigerianos e cidadãos brasileiros.

Nas detenções verificadas há que distinguir o tráfico internacional e o tráfico interno. O Aeroporto do Sal é, de há muitos anos para cá, utilizado pelos traficantes internacionais como o ponto de transbordo da droga, com especial incidência na cocaína, com destino a diversos países europeus através das ligações aéreas. Também é sabido que a droga que é apreendida nas operações de rotina são uma pequena parcela comparada com a que segue viagem com destino à Europa. Para esses o Aeroporto do Sal é apenas um ponto de escala, onde às vezes “um peixe cai na rede”.

Por outro lado o tráfico que faz mais mossa na sociedade cabo-verdiana, mesmo que em pequenas quantidades, é aquele que se destina a mercado nacional. Um emanharado de interesse que confluem na obtenção do lucro fácil. A comprovar isso é o caso de uma cidadã brasileira de 21 anos, que se encontra em prisão preventiva na cadeia do Sal, e que foi detida, no dia 11 de Setembro no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, em flagrante delito pela PJ na posse 9,45 quilos de cocaína em elevado estado de pureza. Droga essa que seria destinada a um outro cidadão brasileiro, residente no Mindelo e que também se encontra em prisão preventiva.

Essa que era destinada ao consumo interno e que provavelmente iria abastecer o mercado de tráfico de droga, neste caso de cocaína, em diversas ilhas do país. É aqui que entram os cidadãos estrangeiros, neste caso oriundos da costa ocidental africano e que se encontram na base da pirâmide, pois são esses, a exemplo do que acontece em vários países da Europa, quem se encarrega de colocá-la a circular no mercado interno. Os que lidam diretamente com os compradores e os que se encontram mais expostos.

As ilhas do Sal e da Boa Vista com o seu grande fluxo de turistas são sem dúvidas dois dos mercados mais apetecíveis desses traficantes, sem excluir a Cidade da Praia e a ilha de S. Vicente que com uma vida noturna intensa “colocam-se a jeito” dessas redes de tráfico, que em muitos casos operam concertadamente nessas referidas ilhas.

Sabe-se também que a nível nacional, no tocante a apreensões, a droga apreendida é apenas a “ponta do iceberg” e que essas redes se encontram cada vez mais bem estruturadas o que permite um maior controlo das suas operações. Em Cabo Verde como em todo o mundo impera a lei da procura e da oferta. Resumindo enquanto houver procura vai haver oferta e vice-versa.

A luta contra o tráfico de drogas, e estamos falando de drogas duras, não é nem nunca deverá ser encarada com uma luta perdida. Há sim que ter em conta dois fatores preponderantes: dotar as instituições de meios humanos cada vez mais bem preparados para o combate a esse flagelo e dotá-los com equipamentos modernos eficazes para esse combate.

Por outro lado apostar de uma forma séria e assumida na questão da prevenção e reabilitação sem nunca descurar a repressão dentro dos parâmetros da lei cabo-verdiana.

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