Cláudia Spencer: “Esperamos que nova lei combata mau álcool porque não é proibindo publicidade que se vai conter o consumo”

3/10/2019 15:59 - Modificado em 3/10/2019 15:59
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Foto: Inforpress

A directora comercial da Salss, “maior importadora” de bebidas alcoólicas em Cabo Verde, espera que a nova lei combata o mau álcool, e que os promotores de eventos terão que procurar outra forma de patrocínios e serem “auto-sustentáveis”.

Em declarações a Agência Cabo-verdiana de Notícias, Cláudia Spencer, responsável da empresa representante de várias marcas de bebidas alcoólicas em Cabo Verde, vincou que não é proibindo a publicidade que se vai conter o consumo exagerado do álcool.

A representante da Salss regozija-se com a lei que entra em vigor no próximo dia 05 de Outubro, e, segundo ela, traz benefícios no controlo do mau álcool, mas, por outro lado, criticou alguns aspetos.

“Fala-se num consumo exagerado do álcool em Cabo Verde e esse consumo foca-se nas cervejas e bebidas espirituosas, quando não é bem assim. Nós sabemos que há um consumo sem controlo do “mau álcool”, que é produzido localmente”, demonstrou, referindo-se à aguardente.

Conforme realçou, desde que haja mais fiscalização do “mau álcool”, sentir-se-ão satisfeitos, porque, segundo ela, a Salss trabalha com cervejas e outras bebidas espirituosas que têm todos os comprovativos e verificação da sua qualidade, por serem produzidas no espaço europeu.

“Nós estamos de acordo com a lei no que concerne ao controlo do mau álcool, mas há alguns pontos que achamos que, de uma certa forma, se exagerou um bocado, principalmente no que toca à publicidade” frisou, citada pela mesma fonte.

Instada a comentar sobre a proibição da publicidade e como é que irão se adaptar em termos de negócios, Cláudia Spencer disse: “Nós teremos que ser criativos e arranjar outras formas de comunicar. Não achamos que seja por aí que se vai controlar o consumo do álcool”.

Replicou, por outro lado, que as pessoas já conhecem determinadas marcas de bebidas, o que, no seu entender, futuramente, vai haver uma “concorrência desleal”, uma vez que um produto novo ficará em desvantagem em relação aos outros.

“Esta nova lei não vai impedir as pessoas de beberem. Não se pode dizer a um adulto, em poder das suas faculdades, se deve ou não deve beber. Portanto, cabe a esse adulto, a responsabilidade de saber como tomar”, opinou.

“Nós que importámos, pagamos os impostos nas alfândegas, conforme estão previstos na lei. Há um imposto de consumo especial que, na lei diz que a produção local de bebidas alcoólicas deveria pagar. O grogue (aguardente) ou o mau grogue por assim dizer, não paga”, lamentou, acrescentando que, “até há pouco tempo, a cerveja de produção local não pagava”.

Esta empreendedora aplaudiu, no entanto, todo o trabalho feito pela Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IGAE), mas, conforme ela, “tudo isso não é suficiente”.

“O Governo tem que fazer com que os produtores locais cumpram com as suas obrigações, cobrando o imposto de consumo especial, porque o Estado está a deixar de cobrar receitas”, sugeriu.

Receitas estas, que, segundo opinou, poderiam ser usadas para acções de prevenção nas escolas e outros espaços.

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