Cabo Verde pondera ter reservas externas em moeda chinesa e em ouro

1/10/2019 16:24 - Modificado em 1/10/2019 16:24

O governador do Banco de Cabo Verde (BCV), João Serra, disse hoje que, além do euro e do dólar, o país está a estudar a possibilidade de ter reservas externas líquidas em moeda chinesa e em ouro.

“Estamos a estudar internamente as possibilidades que podemos ter, para além dos ativos em euros e em dólares. Atualmente, o ouro é um ativo de refúgio, está a rentabilizar um pouco mais do que os ativos em euros e em dólares, vamos também ver se será possível negociar com a moeda chinesa”, disse.

O governador do banco central cabo-verdiano falava aos jornalistas no final do primeiro encontro de gestão de reservas dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa, que decorreu durante dois dias na cidade da Praia.

Segundo o BCV, em 30 de agosto, a reservas internacionais líquidas de Cabo Verde ascendiam a 623 milhões de euros, sendo 68% em euros e 32% em dólares, dando para 5,4 meses de importação.

Além do euro e do dólar, João Serra disse que o país está a estudar a possibilidade de ter reservas líquidas em moeda da China (renmimbi), país que “se tornou uma das maiores potências económicas mundiais”.

“Os ativos chineses estão a render um pouco mais, de modo que temos essas possibilidades”, referiu o governador, enfatizando, porém, que o BCV “vai continuar a ser um investidor com um perfil conservador e não especulativo”.

O objetivo, disse, é “não correr qualquer tipo de risco, tendo em conta a função fundamental das reservas externas para sobrevivência de Cabo Verde, enquanto país soberano”.

Para o governador do BCV, o stock de reserva é “muito confortável”, garantindo a paridade fixa do escudo cabo-verdiano face ao euro, a importação dos bens e serviços e a possibilidade de o país regularizar a sua dívida externa.

Entretanto, face à “conjuntura adversa”, nomeadamente com taxas de juro negativas, João Serra disse que o país, com assistência dos bancos centrais de Portugal, do Luxemburgo e outros, está a analisar as formas de manter o valor das reservas, impedindo a sua redução, por falta de rentabilização.

“Estamos com uma situação relativamente confortável. Naturalmente, não podemos dormir à sombra da bananeira, temos que continuar a acompanhar a evolução a nível internacional, mas também a nível interno porque as reservas cambiais são essenciais para que Cabo Verde continue a existir enquanto país”, afirmou.

Como conclusão do primeiro encontro de gestão de reservas dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa, o governador do BCV apontou a necessidade de os países presentes terem um número adequado de reservas para financiar as importações de bens e serviços, para regularizar a dívida externa e para ter alguma almofada em caso de algum choque externo.

O próximo encontro deverá ser realizado em Portugal, dentro de dois anos.

Por Lusa

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2019: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.