Pequim celebra aniversário da China com parada militar

30/09/2019 16:46 - Modificado em 30/09/2019 16:46

A República Popular da China celebra na terça-feira os seus 70 anos com uma parada militar e apelos à unidade nacional, iniciativas que visam dar um sinal de vitalidade, enquanto se acumulam novos desafios.

Todos são testemunhos, fundadores e construtores da nova era”, dita uma das milhares de faixas vermelhas dispostas nas ruas, praças e avenidas de Pequim, que apelam à lealdade ao Partido Comunista e ao seu “líder central”, Xi Jinping.

Exibições e cerimónias, por todo o país, e reportagens na imprensa estatal, destacam a enorme transformação da China, desde uma nação pobre e devastada pela ocupação japonesa e subsequente guerra civil entre os comunistas e o anterior Governo nacionalista, até se converter na segunda maior economia do mundo.

As celebrações vão culminar com uma parada militar na Praça Tiananmen, presidida por Xi Jinping, e destinada a exibir as novas capacidades das forças armadas chinesas, numa altura em que a crescente assertividade do país além-fronteiras alimentou renovadas tensões com os Estados Unidos.

Arranjos florais e bandeiras da China foram colocadas à porta de todos os edifícios ou estabelecimentos comerciais, por ordem governamental. No topo dos arranha-céus da capital, luzes néon formam o número 70. Nas principais artérias e paragens de metro, soldados garantem que as celebrações não serão perturbadas.

Os ensaios para o desfile militar levaram, nas últimas semanas, ao encerramento de várias avenidas no centro da cidade. Em alguns bairros os moradores foram forçados a deixar as suas casas durante vários dias.

Desde 01 de setembro que é proibido o uso de veículos aéreos não tripulados (‘drones’) e pombos correio – um passatempo apreciado por muitos chineses – ou até fazer voar papagaios.

Quinze mil soldados e marinheiros, 160 caças e bombardeiros, e 580 peças de artilharia, incluindo o míssil balístico intercontinental Dongfeng 41, com capacidade nuclear, vão desfilar na terça-feira junto à Praça Tiananmen, na Avenida Changan, a principal artéria de Pequim.

Segundo analistas militares estrangeiros, outra arma que deve ser apresentada é o DF-17, o primeiro míssil capaz de transportar um veículo hipersónico, que pode ser equipado com armas convencionais ou nucleares, e que é capaz de ultrapassar sistemas antimísseis.

Também foram alcançados progressos no fabrico de veículos aéreos não tripulados (drones), principalmente o WZ-8, uma máquina de reconhecimento supersónico, que poderia ser usada para identificar alvos antes de um ataque.

“O desenvolvimento e o crescimento das Forças Armadas chinesas nos últimos 70 anos estarão à vista de todos”, garantiu o porta-voz do ministério chinês da Defesa, o coronel Wu Qian, em conferência de imprensa.

Já Chen Rongdi, chefe do Instituto de Estudos de Guerra da Academia de Ciências Militares do Exército de Libertação Popular, afirmou numa recente reunião com o Exército que a China “deve ter capacidade de dissuasão”.

Citado pela imprensa estatal, Chen advertiu que “o mundo está longe de ser pacífico, e isto porque Washington está a redefinir as suas estratégias de segurança, passando a considerar a China como um competidor estratégico”.

Desde a ascensão ao poder de Xi Jinping, em 2013, Pequim passou a assumir abertamente o seu desejo de firmar a posição da China como grande potência, pronta a moldar uma nova ordem mundial, numa altura em que os Estados Unidos de Donald Trump rasgam vários compromissos internacionais.

Num artigo difundido no Diário do Povo, o jornal oficial do Partido Comunista, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, afirmou na semana passada que a posição global da China alcançou um pico histórico.

Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, na véspera da Assembleia-Geral da ONU, Wang Yi enfatizou que a China vai procurar um posição de liderança na reformulação da ordem internacional, enquanto expandirá e defenderá os seus interesses nacionais.

Mas a celebração ocorre também num momento interno delicado, face a protestos antigovernamentais na região semiautónoma de Hong Kong, uma guerra comercial com os Estados Unidos e a desaceleração do crescimento económico, agravada pela inflação dos produtos alimentares, devido a surtos de peste suína que se alastraram por todo o país.

Por Lusa

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