Cabo Verde destaca necessidade de construir resiliência e limitar dívidas

27/09/2019 00:20 - Modificado em 27/09/2019 00:20

O primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, destacou hoje, na Organização das Nações Unidas (ONU), a necessidade de criar mecanismos financeiros que permitam conciliar a construção de resiliência com a limitação do endividamento soberano.

Numa intervenção no diálogo de alto nível sobre Financiamento do Desenvolvimento, promovido pela Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, Ulisses Correia e Silva destacou que a adaptação às alterações climáticas e a resiliência da resposta não podem ser financiadas com instrumentos que aumentam as dívidas nacionais.

Desta forma, Cabo Verde defende que se encontrem formas de limitar as dívidas e aumentar a resiliência das nações.

O governante disse que a ambição dos países de rendimento médio não é permanecer nessa categoria para sempre, razão pela qual é necessário investir no desenvolvimento.

No entanto, esses investimentos não podem vir com consequências económicas graves, salientou o chefe do Governo de Cabo Verde, assinalando que tal impede que os pequenos estados insulares em desenvolvimento acedam aos fundos.

O governante cabo-verdiano apelou também para que haja maior consideração pelos países em desenvolvimento médio, que, ao atingirem um certo patamar, foram excluídos de diversas formas de financiamento para o desenvolvimento sustentável.

A declaração do primeiro-ministro coincidiu com o discurso de abertura do secretário-geral da ONU, António Guterres, que lamentou que a assistência oficial para o desenvolvimento esteja a diminuir enquanto as dívidas públicas estão a aumentar, limitando a despesa com os objetivos de desenvolvimento sustentável.

O chefe da ONU considerou que as entidades financeiras devem ter consciência dos riscos reais do financiamento ou empréstimos insustentáveis, defendendo que o sistema financeiro global deve ser alinhado com os objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030.

Na visão do secretário-geral, os obstáculos e desincentivos para financiamentos de longo prazo devem ser removidos.

António Guterres apelou também ao reforço do auxílio individual aos países na mobilização dos seus recursos domésticos, com visto ao autofinanciamento das estratégias de desenvolvimento.

Lusa

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