Graffiti em destaque no Centro Cultural do Mindelo com espetáculo “Válvula”

25/09/2019 16:18 - Modificado em 25/09/2019 16:18

O espetáculo “Válvula” que gira à volta da história do graffiti, que é simultaneamente um concerto de hip-hop, criado pelo ilustrador António Jorge Gonçalves e o rapper Flávio Almada (Aka LBC Soldjah) será apresentado no Centro Cultural do Mindelo nos dias 27 e 28 de setembro.

 Para o ilustrador, António Jorge Gonçalves, o graffiti é um tema que “remete para diversas questões”, que tenta explorar neste ciclo. Segundo o mesmo, geralmente fica-se na dúvida se o graffiti é vandalismo ou arte. Por isso, diz que não só a prática dos desenhos nas paredes é extremamente antiga, tão antiga como a cultura humana, como o graffiti levanta uma série de questões que tem a ver com a maneira como preenchemos a cidade, como somos representados ou não na cidade, como o espaço urbano é organizado.

O mesmo assegura que “Válvula” é um espetáculo desenhado a pensar nos jovens adolescentes e adultos, justamente porque esta linguagem urbana da cultura Hip Hop, se traduz em música, dança e grafite. Atualmente ela está presente desde muito cedo em todas as faixas etárias e é uma linguagem que muitas vezes é esquecida.

Assim sendo, explica, muitos jovens que praticam o graffiti não sabem muito bem qual é a história dele, por isso o espetáculo remonta ao início da atividade cultural humana, ou seja, que ela existe desde a arte rupestre. “É um pouco este sentido e viagem que fazemos no espetáculo através da imagem, desenho, canções e das letras, para trazer um contexto para percebermos acerca de que é o grafite e esta cultura, de quem a faz e a própria vivência dentro da cidade” situa.

Em “Válvula”, António Jorge Gonçalves vai contando a história do graffiti, enquanto desenha digitalmente, sendo o resultado projetado no palco. Em algumas alturas dá voz a LBC Soldjah, que “rappa”, em crioulo, temas criados para o espetáculo, fazendo a ligação com o que vai sendo contado.

Segundo o mesmo este espetáculo começa como um desafio do Teatro Luca (Lisboa), que tem uma programação única e exclusiva só para crianças e jovens, e surge como um desafio justamente para um público adolescente que é difícil de agarrar.

Já o MC (Mestre de Cerimónias) e ativista Flávio Almada (LBC Soldjah), reitera que este é um trabalho de colaboração e de reflexão. Um trabalho que para o mesmo, estimula o pensamento crítico, do Hip Hop como um movimento artístico, cultural, em que o Rap e o graffiti fazem parte dos elementos e também a sua profundidade a nível histórico.

Flávio Almada, acrescenta que o Rap é uma análise social e uma forma de crítica social e sobretudo como forma de produção de conhecimentos e imagens. “Nós no final abrimos o espaço para uma conversa, porque o espetáculo levanta uma série de questões. É uma das partes que nós mais gostamos neste espetáculo, da forma feroz como a discussão se instala no final do espetáculo” conclui este rapper.

Depois da passagem pela Cidade da Praia, onde o espetáculo foi encenado, Mindelo será a próxima paragem em Cabo Verde, a receber o espetáculo que tem uma duração entre 45 minutos e 01 hora.

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2019: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.