António Monteiro: “O Governo está a navegar em águas turvas na matéria sobre a concessão marítima inter-ilhas”

17/09/2019 14:48 - Modificado em 17/09/2019 14:48

O presidente da UCID (oposição), disse hoje que o partido entende o aval do Governo de 518 mil contos à Cabo Verde Interilhas, mas a preocupação do partido centra-se no todo do processo e na forma como foi feita a adjudicação e o não cumprimento pela Cabo Verde Interilhas de outras cláusulas que fazem parte do contrato.

“Estamos preocupados com o todo do processo, e gostaríamos de pedir ao Governo, na pessoa do Primeiro-ministro, que mandasse avaliar o processo, porque o processo é lesivo para os interesses dos cabo-verdianos”, acentuou o presidente do Partido da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), António Monteiro, em conferência de imprensa para reagir à decisão do executivo que autorizou à Direcção-Geral do Tesouro a conceder um aval de 518 mil contos à Cabo Verde Interilhas (CV Interilhas), como garantia de um empréstimo bancário a ser negociado por esse consórcio com Caixa Económica e a International Investment Bank (IIB).

Uma outra preocupação da UCID nesta matéria, segundo António Monteiro, está relacionada com a nacionalização da Cabo Verde Fast Ferry, que irá custar aos contribuintes cabo-verdianos o valor de cerca de 2 milhões de escudos. A questão, entende António Monteiro, é saber se o país tem essa capacidade no momento, porque as ações da CV Fast Ferry e as suas obrigações rondam os 15 milhões de euros.

“A UCID entende que este contrato é lesivo aos interesses dos cabo-verdianos, porque o valor que se vai pagar nos próximos vinte anos, ultrapassa os 11 milhões de contos. Só neste primeiro ano, os contribuintes cabo-verdianos vão ter de assumir mais de 700 mil contos” realçou.

O dirigente da UCID apontou o facto do caos que está acontecendo ainda na linha marítima São Vicente/Santo Antão. “O contrato que também previa duas ligações semanais entre São Vicente/Santiago, no caderno de encargos prevê uma única ligação. Não entendemos como é que as duas cidades mais importantes do país tenham apenas uma ligação semanal. Este não é o caminho para o desenvolvimento do país” acrescentou Monteiro.

O mesmo garante que se o Governo tem estes montantes de compensação para dar a garantia em termos da rota, questiona se a haver este montante, não era de notar os armadores nacionais para que tivessem esta oportunidade, na altura certa para poderem assumir a gestão dos transportes marítimos de cargas e passageiros interilhas.

“Entendemos que as coisas não estão devidamente clarificadas e queremos que o Governo venha esclarecer todos os pontos do referido contrato. O facto de o contrato assinado não conter uma data representa outra preocupação para o líder da UCID. Pois entende que a não haver datas, existem determinadas cláusulas que remetem para seis meses da assinatura do contrato, fica-se sem se saber quando é que o contrato entrou em vigor.

Por isso, diz que a cláusula da rescisão do contrato deve ser acionada. “É que a companhia deveria ter apresentado cinco navios ropax, e não apresentou um único navio. Recorreu-se aos navios que estão cá, e mesmo assim não são cinco, são apenas quatro. De forma que nós estamos a entender, as coisas foram mal feitas desde o início e é preciso que tenhamos coragem suficiente para corrigir aquilo que se iniciou mal. Dar o processo todo para trás e reiniciá-lo para que os cabo-verdianos possam ser bem servidos nesta matéria”.

No meio de tantas preocupações, o líder da UCID voltou a falar sobre a dívida pública cabo-verdiana. Este aval que será dado todos os anos, segundo o partido poderá colocar o país em risco, “pois se a CV InterIlhas tiver um infortúnio, quem se irá responsabilizar pelos custos será o Governo. A haver incumprimento, o valor da dívida pública disparará para valores de longe superior a aquele que nós temos atualmente”. 

“Questionamos se o Ministério das Finanças estará a precaver-se de uma subida ainda maior da dívida pública do país, pondo ainda mais em perigo a sustentabilidade da dívida soberana. A UCID pede todos estes esclarecimentos para que o partido possa estar tranquilo e, acima de tudo, dar as explicações necessárias à população que provavelmente não estará a entender estes desencontros entre a UCID e o Governo, que diz estar tudo bem e nós temos um monte de preocupações que não nos deixa estar tranquilo” vincou.

Para o líder da UCID estamos num “efeito de bola de neve” não sabendo se financeiramente o país poderá suportar tudo isso. Salientou que o país precisa de um sector marítimo “eficaz e capaz de corresponder as demandas da população cabo-verdiana”, mas que isso não pode ser a “todo o custo e por valores incomportáveis para a economia de Cabo Verde”.

Nesta senda, garantiu que a Procuradoria-Geral da República deve analisar o contrato para ver se há ou não “situações graves que lesam os interesses dos cabo-verdianos”.

Monteiro terminou dizendo que a UCID não descarta a hipótese de analisar e submeter à Procuradoria-Geral da República “algo para poder agir”.

  1. José Lopes

    ESTA JOGADA DO GOVERNO JUNTO DE UMA EMPRESA ESTRANGEIRA É CLARAMENTE UM ATO DE CORRUPÇÃO QUE NÃO DEVEMOS DEIXAR PASSAR!!!! SE TEMOS ARMADORES NACIONAIS COM EXPERIÊNCIA COMPROVADA PORQUÊ ENTREGAR ESTE NEGÓCIO ALTAMENTE LUCRATIVO, NO CASO DE LINHA SV-SA NAS MÃOS DE ESTRANGEIROS QUE VÃO LEVAR O LUCRO PARA FORA DO PAÍS??? PORQUE É QUE NUNCA SUBSIDIARAM OS NACIONAIS E PREFERIRAM OS INTERNACIONAIS???ADEMAIS, PARA ALÉM DA TENTATIVA DE CORRUPÇÃO AINDA TRATAM O POVO CABOVERDIANO DE BURROS!!! REVOLTANTE, TEMOS DE SAIR AS RUAS E EXIGIR A QUEBRA DESTE DITO CONTRATO DE BANDIDOS, POIS COM OS PORTUGUESES SENTEM MAIS SEGUROS PARA FICAREM DE RABO PRESO!!!!

  2. José Lopes

    QUE A UCID TENHA A DECÊNCIA DE FAZER AS COISAS COMO DEVE SER, E LEVA ESTE CASO A PROCURADORIA DA REPÚBLICA!!!! NÃO PODEMOS FICAR QUIETOS. ESTE GOVERNO PARECE QUE VAI DAR UM GOLPE PARA DEPOIS FUGIREM DO PAÍS. DO JEITO QUE O OLAVO CORREIA FALA EM “VENDER O MAIS RAPIDAMENTE E SEM MEDO” SE ESTE NÃO É GOLPE NÃO SEI O QUE SERÁ ENTÃO. ESTE PAÍS É DOS CABO-VERDIANOS

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