Alcides Graça: “Transladação de mortos por insuficiência renal tem de ser suportada pelo INPS”

13/09/2019 16:03 - Modificado em 13/09/2019 16:03

O presidente da Comissão Política Regional do PAICV em São Vicente, Alcides Graça, solicitou nesta sexta-feira, em Mindelo, que o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) cubra a transladação para as ilhas de origem dos mortos por insuficiência renal ocorridos no hospital da Praia.

Alcides Graça, elucidou que é preciso fazer esta chamada de atenção, uma vez que através da denúncia de um doente se soube que estão ocorrendo algumas mortes, principalmente desta região norte, e os funerais realizados em “condições indignas”.

O líder regional do Partido Africano para Independência de Cabo Verde, afirma que o INPS garante apenas a viagem para Praia, subsídio de estadia e comparticipação no funeral. “A transladação do corpo é da responsabilidade da família do doente e quem não tiver condições para fazer essa transladação, o funeral do seu ente querido vai ocorrer longe da sua família e em condições indignas”, atestou.

Graça garante ter conhecimento de seis casos que aconteceram recentemente e cujo enterro aconteceu sem que os colegas de tratamento soubessem.

Para rever a situação, o líder do partido em São Vicente, estabeleceu contactos com o Instituto Nacional de Previdência Social que confirmou as comparticipações asseguradas, em que a transladação não está incluída, algo que só poderá acontecer, acrescentou, através de um entendimento entre a instituição e o Ministério da Saúde.

O mesmo diz jugar que o Ministério da Saúde e o INPS devem procurar uma solução que garanta o translado, da cidade da Praia para a sua ilha de origem, àqueles que falecem durante o tratamento à insuficiência renal. “É o mínimo que se pode exigir, é uma questão de dignidade humana”, aclarou Alcides Graça.

A principal razão para a existência deste tipo de situações deve-se ao facto, segundo Graça, do Centro de Hemodiálise de Mindelo, que foi prometido pelo Governo para 2018, depois para o primeiro trimestre de 2019, mas que até ao momento não se concretizou.

“Sabemos que se trata de uma infraestrutura hospitalar de grande importância para o norte do país, uma vez que a maioria dos doentes, cerca de 63, é do norte do País, particularmente de São Vicente e Santo Antão. A nossa convicção é de que o Centro de Hemodiálise do Hospital Baptista de Sousa não ficará pronto nem até o final deste ano, já que as obras estão a ocorrer num ritmo muito lento” indicou.

Para resolver uma situação que considera ser de extrema urgência para o norte do país, o dirigente regional do PAICV diz que é urgente a construção do Centro de Hemodiálise do Mindelo, e que isso justifica-se não só pela “situação degradante em que vivem alguns doentes”, designadamente aqueles que não são assistidos pela Previdência Social, como também para garantir, em caso de óbito, “um funeral com a dignidade que um ser humano merece”.

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