Suicídio é hoje a terceira causa de morte na adolescência – Psicólogo

12/09/2019 23:58 - Modificado em 12/09/2019 23:58

Enquadrado nas actividades da prevenção ao suicido, programados pela Associação de Promoção de Saúde Mental – A Ponte, o Centro Protagonismo Juvenil da Ribeira de Craquinha foi palco de uma conversa aberta sobre o comportamento suicida na infância e adolescência. Uma acção psicoedutativa para funcionários e monitores, ministrado pelo psicólogo e colaborador de A Ponte, Érico Medina.

O psicólogo aborda um tema complexo e também considerado um grave problema de saúde pública: o suicídio na infância e na adolescência.

De acordo com Érico Medina, o suicídio é amplamente reconhecido com um grave problema de saúde pública e constituí a “terceira causa de morte na adolescência e entre 15 e 29 anos e segunda causa de morte entre 10 e 44 anos”.

Por isso considera que é importante falar do assunto, capacitar monitores, professores e todas as pessoas que trabalham diretamente com crianças e jovens no sentido de reconhecer e identificar os fatores de risco e sinais de alerta para que haja uma efectiva prevenção do suicídio, dando uma resposta atempada.

Se o suicídio entre adultos já está envolto por silêncios e tabus, é ainda mais entre crianças e adolescentes. A sociedade, em geral, não aceita a ideia de que eles possam querer se matar. Pais de adolescentes que cometeram suicídio tendem à negação, uma reação ao sentimento de culpa. Além disso, é escasso o conhecimento sobre que lógica rege os suicídios juvenis e sobre como preveni-los. Os estudos e a experiência existentes dizem respeito basicamente a pessoas mais velhas.

São vários os fatores que podem levar uma criança ou adolescente a se suicidar, diz Érico Medina. Este aponta fatores desencadeantes, como a discussão com os pais, problemas escolares, perda de entes queridos e mudanças significativas na família. Bem como emergência de psicopatologia, depressão, bulimia e bullying. “O factor de bullying gera comportamentos como abandono escolar, perda de autoestima, entre outros”.

Portanto, diz que o jovem que considera o suicídio comum a solução para seus problemas deve ser observado de perto, principalmente se estiver se sentindo só e desesperado, sofrendo a pressão de estressores ambientais, insinuando que é um fardo para os demais.

O psicólogo aponta, ainda, sinais que podem demonstrar riscos. “isolamento social, a perda do prazer em atividades que a pessoa gostava, crises de choro frequentes, tristeza profunda. Completam a lista a queda no rendimento escolar e agressividade”.

O suicídio é uma realidade que é preciso falar e conhecer que acontece na infância e adolescência. Por isso, acredita que a melhor forma de prevenção é traçar estratégias e nada melhor que trabalhar com pessoas que trabalham diretamente com crianças.

É difícil aceitar que uma criança ou adolescente possa querer se matar. Mais complicado ainda é explicar por que esse comportamento está em ascensão. O que existem são indícios e hipóteses.

EC

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2019: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.