São Vicente: Há uma tendência para o aumento de casos de suicídio na ilha, com incidência no sexo masculino

12/09/2019 00:22 - Modificado em 12/09/2019 00:22

Em Cabo Verde o suicídio, como em todo o mundo, também ocorre e nos últimos cinco anos, segundo o relatório Estatístico do Ministério da Saúde, as mortes por suicídio tem variado, anualmente, entre as 49 a 60 pessoas. De 2014 a 2018 foram 268 mortes por suicídio, sendo 234 indivíduos do sexo masculino e 34 do sexo feminino. Dados avançados esta semana, no âmbito das atividades realizadas pela Associação de Promoção de Saúde Mental, que esta terça-feira assinalou o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio.

Durante o mês de setembro é considerado, desde 2003, pela Organização Mundial da Saúde, OMS, como o mês dedicado a chamar a atenção da sociedade para a importância de se falar e de prevenir o suicídio. É nesse âmbito que São Vicente, durante este mês, vai receber diversas atividades alusivas ao tema.

Apesar das conquistas, divulgação e sensibilização, o tema continua sendo um tabu no seio da sociedade, o que acaba por funcionar como um fator de risco. Isso porque, segundo Denise Lima, a divulgação de informações nunca é pouco pois, a falta dela condiciona o reconhecimento das pessoas com sintomas associadas a essa problemática, o que aumenta o índice de suicídio no país.

Em Cabo Verde, segundo o Coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental, os dados, infelizmente não estão bem trabalhados. “Há muitos casos subentendidos”.

No entanto, para Aristides da Luz, é mais visível em São Vicente “onde temos casos mais fidedignos, que existe a tendência para o aumento. É uma preocupação que temos de ter, mesmo que seja mais um ou dois casos”.

Considerado um dos maiores problemas a nível de saúde pública no mundo, este psiquiatra diz que é importante relembrar que a questão do suicídio é mundial. “Muitos casos podem ser prevenidos desde que estejamos sensibilizados e consigamos sensibilizar as pessoas para esta epidemia mundial”, destaca Aristides da Luz.

Ainda no âmbito das atividades, foi realizada uma conversa aberta no Centro Cultural do Mindelo, durante a qual a Psicóloga Katiza Lima esclareceu que a informação e abordagem do tema são bastante importantes na prevenção desta epidemia mundial.

Dados da OMS referem que, a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio e que, embora o suicídio possa afetar todo o tipo de pessoas, ele é mais frequente em homens acima dos 65 anos e em jovens entre os 15 e os 24 anos.

Por isso, a importância da compreensão, da disseminação de informação, discussão do tema, explicando às pessoas o que significa e o que implica. A identificação dos fatores de risco também é uma forma de prevenção.

Portanto, acredita que deve ser feito um trabalho a nível macro, ou seja, sempre com a família, na escola com os educadores, assim como com colegas. “Todos devem estar abraçados a esta causa”.

Elvis Carvalho

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