Escola de Basquete Sarda: Formação é o pilar principal para o desenvolvimento do desporto nacional

8/09/2019 23:31 - Modificado em 8/09/2019 23:31

A Escola de Basquete Sarda usa o desporto para incutir valores positivos a jovens de diversas faixas etárias.

A funcionar diariamente, excepto aos fins-de-semana, no polivalente de Cruz João Évora, em São Vicente, o projecto Escola de Basquete Sarda, ou apenas EBS, tem trabalhado no sentido da sua legalização. No entanto, Admilson Rodrigues, “Sarda”, diz que toda a documentação já está pronta e está apenas à espera de uma decisão do Cartório de São Vicente, que até ao momento não saiu.

Até lá, continua a fazer o que melhor sabe, ensinar basquetebol a cerca de oitenta alunos, dos sete aos vinte anos. Com empenho e muita dedicação tem vindo a conseguir repassar os seus conhecimentos. Para além de promover a formação desportiva de qualidade, conforme diz Sarda, a escola funciona também como um espaço educativo.

A ideia segundo este amante do basquetebol surgiu, quando viu alguns jovens da sua zona a enveredarem por caminhos menos aconselháveis, como uso de drogas, consumo de álcool, delinquência e vandalismo. Por isso, e por não querer que a juventude da sua zona seguisse esses caminhos, começou a investir neste projecto que já tem três anos e continua progredindo de forma acentuada.

A ensinar basquetebol e a incutir bons valores aos seus formandos acredita que todos têm potencial para um futuro promissor. “Basta se empenharem”, destaca Sarda.

Aos alunos, a escola proporciona um momento de aprendizado, como uma família com um objectivo em comum: fazer da Escola a maior e melhor de São Vicente e quiçá de Cabo Verde. Trabalhando diariamente e respeitando, os ensinamentos do treinador, e futuramente serem grandes atletas.

“Trabalho sozinho. Não tenho muitos apoios, mas este é um projecto que tem tudo para correr bem”, declara este treinador que constantemente procura mais apoios, para conseguir manter a escola a funcionar.

Entretanto, apesar da escassez de apoios conseguidos, maioritariamente através de amigos, não fica apenas à espera que venham bater à sua porta. “É preciso, não apenas dizer que se vai fazer. Têm que fazer e gostar muito”, explica Sarda que acrescenta ainda que é por gostar do que faz é que debaixo do sol e às vezes com pouca luz, consegue fazer a escola funcionar.

“A falta de equipamentos é uma constante e as vezes faz com que queiram desistir, mas com empenho e determinação de ambos os lados, conseguimos dar a volta”. Os materiais usados, são feitos de cabo de vassoura, garrafas de água. Tubos usados entre outros, ou seja, materiais reciclados que servem para treinar e para improvisarem um ginásio ao ar livre. “Os atletas seniores precisam do treino físico como levantamento de peso e acabamos por improvisar este ginásio para poderem treinar”.

A par disto, diz que os seus objetivos têm sido alcançados. Por exemplo, a selecção nacional de Sub -16, seis atletas da Escola de Sarda foram selecionados e o seu trabalho, na dinamização e promoção da modalidade o levou a ser treinador da selecção de Cabo Verde, no Três contra Três. Mais, a equipa campeão regional de São Vicente e vice-campeão nacional, possui atletas que já estiveram sob a sua alçada. “Tudo isso mostra que o meu trabalho está a valer a pena”.

Sobre o trabalho de formação, diz que é preciso maior investimento neste segmento, porque é a formação que conta para amanhã. E que o basquetebol em São Vicente está a cair, porque tem faltado este trabalho, formar atletas de cedo. No entanto, critica a atitude de alguns clubes, que “vêem enganar estes jovens, as vezes com uma promessas vãs, mas o objectivo é nada mais que, usá-los para vencer um campeonato e não continuam a fazer o trabalho que estava a ser feito com eles, aqui no EBS”, diz Sarda que se sente triste com a situação actual do basquetebol em São Vicente.

Elvis Carvalho

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