Argentinos exigem nas ruas aprovação de lei de emergência alimentar

4/09/2019 17:02 - Modificado em 4/09/2019 17:02

Milhares de pessoas concentraram-se hoje perto da principal avenida de Buenos Aires para exigir a aprovação da lei de emergência alimentar que previna as consequências da grave crise económica que atinge a Argentina.

Diversos movimentos sociais e políticos desfilaram junto ao ministério do Desenvolvimento Social e frente ao Congresso, onde se prevê para esta tarde uma reunião entre dirigentes destas formações e representantes da oposição para solicitar uma sessão parlamentar na próxima semana que debata este projeto.

“A emergência alimentar é uma exigência decisiva. Há três anos que avisamos para o agravamento da situação, é necessário que se confronte o problema da fome na Argentina”, referiu aos media Daniel Menéndez, que integra os Barrios de Pie, uma das organizações envolvidas nos protestos.

O projeto de lei pretende, entre outros aspetos, mais programas sociais, o aumento dos salários mais baixos e alimentos para as cantinas populares.

A grande afluência de manifestantes implicou o encerramento do tráfego da Avenida 9 de julho, com os dirigentes do protesto a admitirem uma manifestação por tempo indeterminado caso o Governo não responda às suas reivindicações.

Em paralelo, um grupo de trabalhadores algemou-se nas portas do Banco Central para denunciar a situação económica e exigirem ser recebidos pelo seu diretor, Guido Sandleris.

A crise argentina decorrer desde abril de 2018, quando uma súbita desvalorização do peso face ao dólar desencadeou uma grave recessão e um forte aumento da inflação e dos níveis de pobreza.

A derrota do atual Presidente, Maurício Macri, nas eleições primárias de 11 de agosto, ganhas pelo peronista Alberto Fernández com uma diferença de 15 pontos, agravou a situação de crise.

Desde então, e na sequência de fortes variações dos mercados, o dólar aumentou o seu valor em cerca de 23% face à moeda local e deverá ter reflexos na inflação, que em 2018 já se situou nos 47,6%, o valor mais alto desde 1991.

Em paralelo, o prémio de risco do país disparou mais de 200%, enquanto os analistas preveem uma inflação de 55% para 2019.

Nas últimas semanas, após a sua derrota nas primárias — que complica a sua reeleição nas eleições de 27 de outubro –, o Presidente Maurício Macri aprovou diversas medidas para enfrentar os efeitos de nova desvalorização, como a eliminação do IVA para diversos alimentos básicos, congelamento do preço da gasolina e benefícios fiscais para trabalhadores e pequenas e médias empresas.

O Governo, alvo de forte contestação social, também iniciou a aplicação de medidas de controlo cambial para tentar travar a subida do dólar e a fuga de divisas, e disse que vai procurar alargar o prazo do pagamento da dívida com os credores privados e com o Fundo Monetário Internacional (que em 2018 aprovou um empréstimo à Argentina de 56,3 mil milhões de dólares/51,3 mil milhões de euros) com o objetivo de preservar as reservas monetárias.

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