Mortes de mãe e bebé no Hospital Batista de Sousa

26/08/2019 17:54 - Modificado em 26/08/2019 17:54
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Foto: Décio Barros|rtc

Na sequência de notícias veiculadas publicamente e de acusações feitas à direção do Hospital Batista de Sousa, referentes à morte de uma paciente, Sílvia Santos, que faleceu na sexta-feira, 23, devido a complicações na fase final da sua gravidez, o Hospital Baptista Sousa, em comunicado informa e esclarece e também no seu direito de se defender das acusações que levaram à morte da bebé e posteriormente da parturiente.

Para esclarecer alguns pontos das denúncias efetuadas, o HBS, diz que na tarde do dia 20 de agosto, a paciente deslocou-se ao Banco de Urgência, com queixas de sangramento, de pequena quantidade, mas sem vómitos. E que nesta sequência foram solicitados exames de urgência, que revelaram alteração hepática e renal grave.

E que os quadros hepáticos durante “a gravidez são muito raros e extremamente graves, impondo-se, normalmente, a interrupção imediata da gravidez, o que se fez cerca de uma hora depois, tendo sido retirado um feto morto”.

E que no pós-operatório, Sílvia Santos foi encaminhada para a unidade de cuidados especiais, com acompanhamento multidisciplinar, tendo evoluído para uma falência multiorgânica que, infelizmente, resultou na sua morte, no passado dia 23.

“O quadro clínico dessa paciente era um quadro muito raro, com sintomas inespecíficos”. E justifica que os sintomas específicos só aparecem quando a doença está numa fase muito avançada. “A doença só aparece um em cada dez mil casos de gravidez, sendo a mortalidade materno-infantil elevada, mesmo nos países mais evoluídos”.

No entanto, antes deste trágico desfecho, o HBS, esclarece que a paciente em questão era uma premi gesta, que a exemplo de qualquer grávida vinha sendo acompanhada no serviço pré-natal.

“A paciente foi sujeita a todos os exames a que o sistema obriga e que constam do protocolo estabelecido pelo sistema nacional de saúde, não se tendo, em momento algum constatado, seja pela observação direta, seja pelos exames, qualquer alteração que justificasse a realização de exames extra-protocolares.”

Por isso, ao apresentar-se no dia 07 Agosto, no Banco de Urgência de Adultos, queixando-se de vómitos e diarreia e sem qualquer outro sintoma, ficou em observação, e sujeita a soro fisiológico para hidratação, por algumas horas. Após este procedimento, mostrou significativa melhora, tendo sido colocada a hipótese de se tratar de sintomas de gastroenterite aguda, situação comum nesta altura do ano. Em face dessa visível melhoria teve alta.

No passado dia 19 apresentou-se no centro de saúde reprodutiva de Bela Vista, numa consulta de rotina. Com 36 semanas de gestação queixando-se, de novo, de vómitos.

“Observou-se um aumento significativo de edemas, mas, ainda, sem alteração da tensão arterial. Fez-se um teste rápido a urina, para descartar existência de proteína alta, que resultou me negativo. Ainda assim, por precaução, e com vista a esclarecimento do diagnóstico, foram requisitados exames para avaliação da função renal e hepática”.

Por isso, diz que “importa esclarecer que ao contrário que se vem dizendo, a cor verde não era da urina, mas sim da fita utilizada para a realização do teste rápido”.

Portanto tendo em conta toda a situação, Hospital Baptista de Sousa, a Delegacia de Saúde de S. Vicente e bem assim os seus técnicos, lamentam esse desfecho, mas tudo fizeram para o evitar.

“Poucas condições na medicina são mais dramáticas ou devastadoras quanto à insuficiência hepática aguda”.

No seu comunicado termina “apresentando à família da malograda os nossos sentidos pêsames e com a promessa de continuar a tudo fazer para bem cuidar da saúde dos cidadãos, com os meios que o país coloca à nossa disposição.

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