O futuro dos Vídeoclubes e Ciber na era digital

25/08/2019 23:45 - Modificado em 25/08/2019 23:45

Como é que sobrevivem estes pequenos negócios nesta época? Uns adaptam-se e reinventam, alguns vão-se mantendo com muitas dificuldades e outros simplesmente não conseguem manter-se de pé e são obrigados a fechar.

Os vídeoclubes foram o empreendimento que enchia os olhos de quem é apaixonado por cinema e novelas e fizeram grande sucesso, trazendo muitas novidades para um país onde o acesso a este tipo de arte era difícil, só que os tempos mudaram. Com as evoluções tecnológicas muitos destes negócios fecharam ou estão em vias de extinção.

Com os sites de downloads, a pirataria principalmente na internet, as lojas que alugam filmes, novelas e até jogos, tentam seguir o ritmo da evolução da era digital, mas não é fácil e para isso muitos de adaptam e se reinventam com o tempo, complementando o negócio com outras atividades, como por exemplo papelarias, lojas de materiais eletrónicos, entre outros.

Numa visita por algumas dessas lojas em São Vicente foi possível constatar o contraste entre alguns anos atrás e agora. Há alguns anos era comum ver-se as lojas praticamente abarrotadas, principalmente nos fins-de-semana. Por altura dos grandes lançamentos, quem queria ser dos primeiros a vê-los, tinha de chegar na loja e esperar que o anterior cliente devolvesse o tão esperado filme para então alugá-lo. O que muitas vezes não acontecia pois muitos preferiam pagar a multa – o prazo de aluguer era de 24 horas – passando o filme a algum amigo ou conhecido.

Procurados pelo NN, alguns desses empresários garantem que estes negócios estão em vias de extinção e para se manterem de pé, transformam o espaço que antigamente era só para aluguer de filme em outros negócios afins, chegando até a encontrar bares e cafés num mesmo espaço.

“Nos dias atuais se conseguirmos alugar dois filmes num dia é uma sorte. Temos dias de não se alugar um único filme”.

Muitos garantem que apenas com o vídeoclube não se consegue nada, ainda mais se o espaço for de aluguer onde tem de pagar renda e outras despesas.

Em conversa com o proprietário do vídeoclube Jaly em Ribeirinha, este assegura que se tivesse apenas o aluguer de vídeos em si, já o tinha fechado há muito tempo pois não dá nem para pagar as despesas.

No mesmo local de aluguer de filmes funciona um Ciber e este também é complicado. “A maioria das pessoas actualmente têm internet em casa, também existem as pen de internet móvel 3G das operadoras nacionais e ainda os serviços móveis, como Powa Swag, da CV Móvel, que com 50 escudos ativas o pacote Powa swag dia com direito a 150 megas de internet, ou ainda os pacotes semanal e mensal, com 1000 e 2000 megas respectivamente. Como utilizam mais as redes sociais, e no telemóvel, é suficiente, contrastando com o facto de terem que comprar uma senha de internet no ciber por 70 escudos por hora, sem esquecer a rede pública Konecta, que não é das melhores, mas desenrasca numa pesquisa” adianta Adriano Soares, no ramo há 19 anos tendo juntado no mesmo espaço o ciber há cerca de 07 anos.

“E utilizam a internet aqui (no ciber) quando precisam de fazer upload de vídeos, fotos, ou alguma pesquisa” esclarece o proprietário, que garante também que as chamadas internacionais já são muito raras. Existe o Facebook e com o Viber torna tudo mais fácil.

Questionado sobre o futuro do negócio que vem enfraquecendo de ano para ano, Soares afirma que por enquanto pretende manter o negócio, já que é dono do edifício onde este funciona e não tem despesas adjacentes, pelo declarou que não pretende desistir por agora.

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