Grupo de defensores da Enseada d’Coral da Laginha apresenta proposta para proteção do local

22/08/2019 23:32 - Modificado em 22/08/2019 23:32

Para o grupo que está a frente da proposta para a Enseada de Coral da Laginha este é “um caso de desprezo à população, ao ambiente, ao conhecimento científico e à universidade, ao património e à legislação do país”.

O grupo de ambientalistas que há vários meses vêm chamando a atenção para o perigo que corre a enseada coralina junto à praia da Laginha, em Mindelo, apresenta uma proposta de criação de sítio de interesse científico da enseada de corais da Laginha.

De acordo com os promotores desta proposta, depois da conclusão da elaboração da referida proposta, nos próximos dias serão recolhidas as 300 assinaturas para cumprir os requisitos legais e a proposta será entregue às autoridades.

A contenda do ajuntamento, formado por biólogos marinhos, ambientalistas, mergulhadores e apreciadores da Laginha, teve início no ano passado.

Com esta proposta querem mostrar que a “proximidade e a facilidade de acesso, associadas à proteção legal e efetiva da Enseada de Corais da Laginha propiciarão um laboratório natural de investigação científica nas áreas de ecologia experimental e observacional, mudanças climáticas, biodiversidade, entre outras. Somando à atividade científica, a Enseada de Corais da Laginha é, e deverá continuar a ser, um local de lazer, de educação ambiental e de interesse turístico, tanto através de mergulho recreativo em apneia bem como pelo mergulho autónomo”.

Para Guilherme Mascarenhas, é importante realçar que, nos últimos anos, centenas de crianças, jovens e adultos têm participado em visitas guiadas à referida enseada. “Esta atividade deverá ser incrementada através do projeto, já com financiamento, de uma trilha interpretativa subaquática, similar ao existente na Baía das Gatas, que aguarda apenas a autorização da autoridade costeira e portuária, o IMP, para ser implementado.”

Por isso, diz que a remoção imediata das saídas das condutas das águas pluviais que desembocam na Enseada de Corais da Laginha e a sua declaração como sítio de interesse científico para o Estado de Cabo Verde, a “reparação mínima às várias pressões ambientais permitidas e fomentadas na baía do Porto Grande e um sinal às autoridades e à autarquia local da necessidade de incorporar a ética ambiental nas suas atuações”.

Este realça que a comunidade coralina da Enseada de Corais da Laginha apresenta mais de 400 espécies marinhas, entre as quais destacam-se, 15 das 23 espécies de peixes endémicas de Cabo Verde, 10 espécies de corais (2 espécies e 1 género endémicos de Cabo Verde e as 5 espécies mais representativas de Cabo Verde até -5m); a tartaruga-verde catalogada como estando em perigo de extinção; e o molusco Conus lugubris, endémico da ilha de São Vicente, segundo E. Rolán, endémico da Matiota, e em perigo crítico de extinção

A finalidade desta proposta é proteger e conservar o ecossistema local, facilitar a educação ambiental, fomentar o mergulho recreativo em apneia e ambientalmente responsável. Promover e facilitar a investigação científica, particularmente nas áreas de ecologia experimental e observacional, mudanças climáticas, biodiversidade, entre outras.

Autores da proposta:

Corrine Almeida (PhD), Bióloga Oceanógrafa, Evandro Lopes (Msc) (PhD student), Biólogo Marinho. Guilherme Mascarenhas (Msc), Engenheiro Eletrotécnico, estudioso e fotógrafo da biodiversidade marinha desde 2013 e guia de mergulho com snorkel na Laginha/Matiota. Keider Neves (MsC), Biólogo Marinho e Rui Freitas (Msc) (PhD student), Biólogo Marinho

“Todos os autores são praticantes de mergulho e, exceptuando  Keider Neves, são todos docentes na FECM da UniCV”.

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