Mulher angolana de 110 anos espancada até à morte por suspeitas de feitiçaria

21/08/2019 00:04 - Modificado em 21/08/2019 00:04

Uma idosa angolana, com 110 anos, foi espancada até à morte por dois homens que a acusavam de feitiçaria, na província do Huambo, onde a crença neste fenómeno é grande em algumas comunidades, informou hoje a polícia.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da Polícia na província do Huambo, intendente Martinho Satita, disse que o incidente ocorreu no domingo, na comuna de Calima, município do Huambo, e foi protagonizado por dois vizinhos da vítima, de 22 e 56 anos, que já se encontram detidos.

“Supostamente na aldeia lá do bairro vão ocorrendo determinadas mortes, que eles consideram ser de autoria da senhora, sob crença ao feiticismo, creem que a senhora é que é a causadora dessas mortes”, explicou o porta-voz da Polícia no Huambo, no planalto central angolano.

Segundo Martinho Satita, está aberto um processo de investigação, para se apurarem se existem mais envolvidos.

“Coisas de feitiço não se explicam, crença ao feiticismo é crença ao feiticismo. Agora do ponto de vista policial isto não diz muito. O que diz é o facto de esta crença ter produzido ofensas corporais que terminaram com a morte da anciã e isto é assunto já de polícia, daí termos intervindo e já foram os dois cidadãos presentes ao Ministério Público”, realçou.

Tendência

Segundo o responsável policial, “basta que se seja velho no bairro” e é-se acusado de prática de feitiçaria.

“Há um pouco esta tendência nalgumas comunidades”, disse

Martinho Satita referiu que um ou outro caso vai ocorrendo também em outros municípios da região, “embora nem todos eles terminem em mortes”.

“Temos tido alguns registos essencialmente nos municípios do Bailundo, Cachiungo, Tchinjenje. Não muitos casos, nem com muita frequência, mas um pouco pela maioria dos municípios do Huambo, de quando em quando, vamos tendo casos de ofensas corporais motivadas por crença ao feiticismo”, frisou Martinho Satita.

“Este caso não é de todo isolado, porque este ano não é o primeiro”, acrescentou.

Por Lusa

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