São Vicente: Guardas do Parque Industrial de Lazareto com seis meses de salários em atraso falam em crime grave

20/08/2019 13:15 - Modificado em 20/08/2019 13:15

Depois de seis meses sem receber os seus salários, os guardas do Parque Industrial de Lazareto, organizaram uma manifestação à porta da CCB, durante esta manhã.

Os guardas do Parque Industrial de Lazareto manifestaram-se, esta manhã, de forma pacífica frente a Câmara de Comércio de Barlavento (CCB) para denunciar e exigir o pagamento de seis meses de salários em atraso.

O representante desses trabalhadores considera que o trabalho prestado não é reconhecido e respeitado pela empresa. Este diz que já estão cansados com esta situação. “Estamos a viver na penúria. A passar fome. Queremos apenas o que é nosso por direito”, diz António Jesus Chantre para quem, como chefes de família é uma situação insustentável chegar em casa e não ter dinheiro para arcar com as suas responsabilidades. “É ridícula toda esta situação”. 

“Queremos o nosso dinheiro. Temos responsabilidades e queremos ser respeitados”, enfatiza este trabalhador.

Para o sindicato que os representa, o Sindicato de Indústria, Agricultura, Comércio e Serviço Afins (SIACSA) esta é apenas mais uma prova que a situação laboral da ilha de São Vicente não está nada bem.

“Estes trabalhadores estão com fome, porque alguém esquece que tem alguém que merecem o seu pão de cada dia. E que para poderem trabalhar tem de comer”, diz Gilberto Lima, que considera que seis meses de salário em atraso é crime.

Por isso, assegura que o sindicato irá acionar o governo, porque o local onde trabalham é propriedade do Estado, dirigido pelo PCA da Câmara Comércio de Barlavento, que tem responsabilidades nesta matéria. “Se o governo não tem condições para colocar um trabalhador num local que lhe pertence, então despede-o e indemniza-o, solução mais justa”, destaca o sindicalista.

São sete trabalhadores, seis guardas e uma secretária que todos os meses recebem um documento, alegando que devido a dificuldades não podem cumprir com a responsabilidade de pagar um salário. E ajuntado até agora já são mais de 800 contos, o montante acumulado de salários em atraso. “Podiam, pelo menos pagar 50% e pagar o restante depois. Daria para satisfazer as necessidades”.

Questionado sobre os próximos passos, Gilberto Lima garante, que caso não tiver nenhuma resolução do problema, nos próximos dias, “faremos com que os trabalhadores se despeçam e imediatamente acionaremos, junto do tribunal competente para rever o tempo de trabalho prestado, recordando que estes têm mais de 10 e 15 anos de trabalho.

Com tudo isso afirma que a situação laboral no país é inquietante e chama atenção do Governo no sentido de se criar um ambiente laboral melhor no país e as pessoas poderem ver as suas condições de vida melhoradas.

O NN tentou contactar o responsável pela CCB, mas este não se encontrava no local para prestar declarações sobre o assunto. Por isso prometemos trazer a reacção da Câmara de Comércio, o mais breve possível.

Elvis Carvalho

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