Le Maire anuncia oficialmente Georgieva como a candidata europeia ao FMI

5/08/2019 01:36 - Modificado em 5/08/2019 01:36

A búlgara Kristalina Georgieva é a candidata europeia à liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI), confirmou hoje o ministro das Finanças francês, responsável pela coordenação do processo de eleição do candidato da União Europeia (UE).

“Os Estados-membros da União Europeia chegaram a um acordo sobre o candidato a ser o próximo diretor-geral do FMI. Estas são notícias excelentes. Saúdo o sentido de dever dos ministros das Finanças. Uma vez que todos os candidatos eram altamente qualificados, era evidente que o processo de seleção tinha de ser aprofundado. Kristalina Georgieva é agora a candidata dos países europeus e todos apoiaremos a sua candidatura”, anunciou Bruno Le Maire.

O ministro francês salientou que, como diretora-geral do Banco Mundial e antiga vice-presidente da Comissão Europeia, a economista búlgara, de 65 anos, tem “todas as competências, experiência e credibilidade internacional” para suceder a Christine Lagarde e liderar “com sucesso” a instituição.

“Ela proporcionará [ao FMI] uma experiência europeia única e conhecimento em temas de desenvolvimento”, completou aquele que foi o coordenador do processo de escolha do candidato da UE.

A formalização da designação de Kristalina Georgieva como candidata europeia acontece depois de o outro finalista na votação, o holandês Jeroen Dijsselbloem, ter reconhecido a derrota e abdicado da disputa, após nenhum dos dois ter alcançado uma maioria qualificada de apoio entre os Estados-membros.

“Congratulo Kristalina Georgieva pelo resultado nas votações de hoje. Desejo-lhe o maior sucesso”, escreveu o antigo presidente do Eurogrupo na sua conta na rede social Twitter.

Fonte europeia precisou que os resultados da segunda ronda de votação foram “muito claros”, colocando a búlgara à frente, com 57% no critério populacional e 56% no critério do apoio dos Estados-membros, enquanto Djesselbloem recolheu, respetivamente, 43% e 44% nos mesmos critérios.

O ministério das Finanças francês tinha indicado que a votação iria decorrer “segundo as regras europeias de maioria qualificada”, que estipulam que o eleito tem de recolher o apoio de 55% dos países-membros representando pelo menos 65% da população da UE.

A mesma fonte europeia esclareceu, contudo, que “nunca se tratou de alcançar uma maioria qualificada”, mas sim de “usar os critérios do método da maioria qualificada” estabelecidos nos tratados comunitários.

A votação para a designação do candidato europeu começou cerca das 7:00 em Lisboa, com o processo a estender-se por quase 13 horas.

Após uma primeira votação em que nenhum candidato reuniu o apoio maioritário dos governos dos Estados-membros, a ministra espanhola da Economia, Nadia Calviño, e o governador do banco central finlandês, Olli Rehn, retiraram as suas candidaturas para facilitar um consenso, o mesmo argumento oferecido na quinta-feira pelo ministro das Finanças português, Mário Centeno, para abdicar de colocar o seu nome a votos.

A disputa ficou, assim, reduzida a Kristalina Georgieva e ao antigo presidente do Eurogrupo, com a búlgara a reunir mais apoios entre os Estados-membros.

As candidaturas à liderança do FMI podem ser apresentadas até 06 de setembro, com a escolha do novo diretor-geral a acontecer até 04 de outubro.

Desde a sua criação, em 1944, aquela instituição foi sempre dirigida por um europeu, enquanto o Banco Mundial foi sempre liderado por um americano.

Lagarde, a primeira mulher a liderar o FMI, deixa o cargo para substituir Mario Draghi como presidente do Banco Central Europeu (BCE).

Por Lusa

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