Negociações sobre comércio entre China e EUA terminam sem acordo

31/07/2019 13:54 - Modificado em 31/07/2019 13:54

A reunião entre as delegações da China e dos Estados Unidos para pôr fim a disputas comercias, que duram há um ano, terminou hoje sem acordo, cerca de 40 minutos antes do previsto e sem declarações aos jornalistas.

O representante do Comércio e o secretário do Tesouro dos EUA, Robert Lighthizer e Steven Mnuchin, partiram para o aeroporto de Xangai logo após o fim do primeiro frente-a-frente com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, desde que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping acordaram um segundo período de tréguas, no mês passado.

Analistas consideraram improvável um avanço célere nas negociações, face às divergências profundas entre os dois governos sobre a política industrial e o superavit comercial da China.

O primeiro período de tréguas colapsou após Trump ter subido as taxas alfandegárias sobre o equivalente a 200 mil milhões de dólares (178 mil milhões de euros) de bens importados da China, acusando Pequim de recuar em compromissos feitos anteriormente.

Nenhum dos dois líderes deu, entretanto, sinais de que poderá ceder.

No cerne das disputas está a política de Pequim para o setor tecnológico, que visa transformar as firmas estatais do país em importantes atores globais em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

Os negociadores norte-americanos recusam ceder às exigências chinesas de que as taxas alfandegárias impostas pelos EUA sejam imediatamente suspensas.

Trump quer manter as taxas em vigor, para garantir que Pequim cumprirá com um eventual acordo.

Acusações mútuas sinalizam também persistentes tensões entre Pequim e Washington, com a retórica a endurecer nas últimas semanas.

Trump alertou esta semana que pode não haver acordo antes das próximas eleições presidenciais dos EUA, marcadas para novembro de 2020.

E avisou que, se for reeleito, será “muito mais duro” com Pequim.

“Eles vão rezar para que Trump perca, para então fazerem um acordo com alguém que não sabe o que está a fazer”, afirmou.

Após os comentários de Trump, a bolsa de Xangai, principal praça financeira da China, caiu 0,7%, enquanto a bolsa de Hong Kong caiu 1,3%.

As observações “agressivas” de Trump são um “lembrete para os investidores de que EUA e China não estão mais perto de um acordo e, na verdade, podem estar a afastar-se”, disse Stephen Innes, da consultora VM Markets, em comunicado.

As delegações deverão também ter abordado o futuro do grupo chinês das telecomunicações Huawei.

Washington colocou a empresa numa lista de entidades do Departamento de Comércio, após as negociações falharem em maio passado, o que implica que as empresas norte-americanas tenham de solicitar licença para vender tecnologia à empresa.

Por Lusa

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