JPAI diz que atual governo defraudou as expectativas dos jovens cabo-verdianos

30/07/2019 13:41 - Modificado em 30/07/2019 13:41

Em conferência de imprensa esta manhã, na sede do partido em São Vicente, o líder da Juventude do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (JPAI) acusa o governo sustentado pelo Movimento para a Democracia (MpD) de estar oferecer aos jovens cabo-verdianos uma governação sem qualquer visão estratégica para o futuro e sem uma agenda clara.

A antecipar o debate sobre o Estado da Nação, Fidel Cardoso de Pina diz que neste governo não tem ninguém que responda pelas políticas da Juventude. E que a entrar no quarto ano de governação do país, “regista-se um inquestionável” retrocesso em várias áreas de governação e que as principais promessas ainda estão por cumprir.

“É evidente que o governo de Ulisses Correia e Silva falhou redondamente na sua política de emprego, defraudando as expectativas de todos os cabo-verdianos, principalmente dos jovens”.

Para este dirigente político, os últimos dados do Instituto Nacional de Estatísticas, INE, mostra que o desemprego jovem é muito preocupante. “Já que 42,8% dos jovens entre os 15 e 34 anos estão desempregados e o rosto da inatividade no país é muito jovem, cerca de 53,5% entre os 15 e 34 anos e que cerca de 42,4 são estudantes possuindo em media o 8º ano de escolaridade”.

Outra questão que considera critica, é a situação habitacional difícil que é o reflexo da problemática da precariedade laboral pondo em risco a segurança e a proteção dos jovens, suas famílias e principalmente crianças que diz terem de viver em condições precárias e muitas vezes “desumanas”.

Portanto diz que não se entende o porque do governo do MPD ter-se afastado do compromisso firmado com os jovens cabo-verdianos de priorizar as políticas de promoção de emprego e da empregabilidade, de igualdade de oportunidades económicas para os jovens de todas as ilhas e de salário digno, contrariamente ao que prometeu nas campanhas.

Ao invés, está a enganar os jovens com políticas ativas de emprego, como os estágios profissionais, passando a ideia que é tudo o que se pode oferecer aos jovens qualificados mediante subsídios que não ultrapassam os 20 mil escudos.

Por isso, critica que os estágios profissionais não podem ser a regra para o acesso ao mercado de trabalho. “Os estágios profissionais são uma reconhecida e importante medida de apoio a inserção dos jovens recém-formados ao mercado de trabalho, lá onde há dificuldades de absorção dos recursos humanos disponíveis para trabalhar”.

E que estes estágios “não podem funcionar como via legal para as empresas contratarem trabalhadores qualificados a baixo custo e em condições de precariedade”.

Por isso numa altura em que se debate mais um Estado da Nação, a JPAI diz que na sua avaliação responsável e objetiva sobre a situação laboral da juventude no meio rural e nas cidades, não encontra motivos para acompanhar o otimismo do governo. “A felicidade prometida não está a ser sentida por uma juventude que enfrenta diariamente as aguras do desemprego, do subdesemprego, da precariedade laboral e habitacional por falta de oportunidades económicas, da discriminação no acesso ao emprego e a cargos públicos, entre outros”.

Posto isso, considera que essa parte da nação não sente os ganhos do propalado crescimento económico e que o Estado da Nação nessa matéria é “francamente negativo”.

Elvis Carvalho

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