PAICV vê saída das pessoas de Santo Antão como uma “séria ameaça” para a ilha

30/07/2019 00:20 - Modificado em 30/07/2019 00:20

O maior partido da oposição, o PAICV, afirmou hoje, no parlamento, citando as projeções do Instituto Nacional de Estatística (INE), que até 2030 Santo Antão terá uma população inferior a 33 mil pessoas, constituindo isso uma “séria ameaça” para a ilha.

A deputada do Partido Africano da Independência de Cabo Verde para o círculo eleitoral de Santo Antão, Vera Almeida, intervindo no período das questões gerais, disse que os sinais são desencorajadores, isto, segundo ela, tendo em conta os três últimos anos que têm sido devastadores para a ilha e sua população, mais concretamente as famílias do campo.

De acordo com a Agência Cabo-verdiana de Notícias, a deputada apontou os dois anos de “seca severa”, a “incapacidade do Governo em implementar” o Plano de Emergência e Mitigação da Seca e o mau ano agrícola em 2017 e “ineficiente” estratégia em 2018, como sendo “desencorajadores” e afirmou que o Governo continua num “silêncio profundo” em relação à “incógnita da chuva em 2019”.

No entender de Vera Almeida, deve-se fazer um estudo pormenorizado do perfil das pessoas que saem da ilha das montanhas, as razões da tal fuga e reconhecer as suas “eventuais expectativas” de fixação nas suas comunidades, antes que seja “tarde demais”.

Realçou, ainda, que, ao ser confrontado com esta situação, o primeiro-ministro garantiu medidas para o crescimento da economia da ilha, através da dinamização do turismo, da agricultura, pesca e requalificação urbana, mas que “não surtiu efeitos”.

“O nosso receio é que o sector agrícola faça com que a economia da ilha se degrade com os desinvestimentos, mantendo-se incipiente e fragmentado e sem capacidade para escoar os produtos para outros mercados, devido ao embargo e à deficiente ligação marítima”, manifestou Vera Almeida.

Por sua vez, na sua intervenção, o secretário de Estado Adjunto do ministro de Estado, Carlos Monteiro, afiançou que, passados dois anos da implementação do plano de mitigação da seca, o executivo “não recebeu queixas dos criadores”.

“As medidas estão a ser implementadas com sucesso”, adiantou Carlos Monteiro, acrescentando que Santo Antão foi alvo de medidas de “discriminação positiva” na implementação do Plano de Mitigação da Seca e mau ano agrícola.

O governante considerou que com a implementação do referido plano, a “situação melhorou consideravelmente”, referindo-se ao “reforço no salvamento de gado e mobilização da água”.

“Não é só construir barragens. É preciso qualquer coisa a mais. Portanto, a nossa filosofia é diferente”, indicou o governante, concluindo que a aposta deve incidir na “resiliência do sector agrícola” e diversificação das fontes da água.

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