Pichagens como forma de protesto: E se a moda pega?

22/07/2019 01:01 - Modificado em 22/07/2019 01:01
Foto: Sokols

O traçado da estrada que liga Mindelo e Baía das Gatas rabiscado com tinta branca tem causado um pequeno alvoroço nas redes sociais.

As imagens receberam vários comentários, entre mensagens de apoio e outras a condenaram o acto. O movimento cívico Sokols, através do seu líder demarcou-se do acto. Mas a verdade é que foi o Sokols que trouxe as pichagens nas estradas como forma de protesto, como se pode ver na foto de 2017, quando elementos desse grupo barricaram uma comitiva do Primeiro-ministro depois de terem pinchado a estrada de São Pedro.

Vários internautas consideram que o principal problema não é vandalismo, que agora o Governo faz cavalo de batalha, quando em 20017 ficou mudo e quedo. Quem cala consente! Mas sim partir para essa forma de protesto sem esgotar as formas normais e legais.

Um internauta pergunta ao líder do Sokols como ele reagiria se alguém sentisse que foi mal atendido na sua clínica veterinária e em vez de reclamar através do livro de reclamações, queixa-crime, queixa à Ordem dos Veterinários, optasse por escrever nas paredes da Clínica de Salvador Mascarenhas.

Na verdade, se a moda pega não há paredes de intuições em São Vicente que vão escapar das pichagens. O cidadão é mal atendido nos bancos, no hospital, na Câmara municipal, não reclama. Não se queixa e pincha as paredes com as suas reivindicações. É neste sentido perguntam: para exigir valas, controlo de velocidade, passadeiras para peões era preciso pintar o asfalto, sem antes reclamar junto de quem pode alterar a situação? Não era.

O Sokols também não precisava barrar a comitiva do primeiro-ministro, não precisa pintar a estrada de São Pedro pedindo Autonomia e dizendo Basta, pois tinha passado essa mensagem em todos os órgãos de comunicação social. Mas fê-lo e governo não fez nada, Calou. Consentiu. E agora tem mais uma estrada pintada. Amanhã pode ser a esquadra da polícia, o tribunal… se a moda pega.

Por isso muitos internautas não entendem porque o governo surge a defender a tese de vandalismo. Porque para eles não é o vandalismo que está em causa, mas sim essa forma de protesto, que pode ser feita através de email, um abaixo-assinado, uma reclamação, a ser feito dessa forma. Se se chegar a uma situação limite onde o cidadão não tem como reclamar.

Existe uma pichagem que foi feita há uns anos em São Vicente e que ilustra a situação limite. Na Ribeira Bote, o dono de uma casa escreveu em letras garrafais nas paredes exteriores “ Aqui mora um caloteiro que há dois anos não paga a renda”

E dizem vários internautas que no caso da estrada da Baía não havia uma situação limite.

 Mas a maioria dos internautas comentam sobre a questão do vandalismo. Muitos acham que “só foram uns rabiscos”. Outros que foi um acto de vandalismo.

O vandalismo, apesar do acto, não ser considerado tal é um problema que segundo os internautas deve ser enfrentado de maneira efetiva. E como a polícia não sabe quem são os responsáveis, quem paga o preço da impunidade, na maioria das vezes, é a população, na forma de impostos, já que bens públicos são os principais alvos dos vândalos.

De acordo com um internauta vandalizar um bem público, ou seja que não é do partido A ou B, mas é de toda gente, é uma situação triste e pouco racional, que em nada engrandece a nossa amada ilha. “Em vez de vandalizar, devemos sim ajudar a preservar porque serve todos nós”.

E por isso defendem que existem melhores formas de mostrar o desagrado pela forma como as obras foram conduzidas, em que nalguns pontos não se deixa espaço para a população, criando um perigo para as pessoas que são obrigadas a andarem na estrada e colocando em risco as suas vidas, bem como a falta de quebra molas para a redução da velocidade perto das zonas.

E que, apesar de ser considerado uma manobra de distração, de um esquema bem montado, conforme os que defendem esta tese e da mensagem bem expressiva e clara, não se pode, em momento algum usar o que é do povo, neste caso, um património público para atingir os governantes. “Se não estão satisfeitos com algo, façam-se ouvir de outra forma”, porque com vandalismo é a “nossa ilha é que fica destruída e por favor vejamos outra forma de expor as nossas ideias porque assim estamos a prejudicar a nós mesmos”, condenam.

Alguns internautas condenam veementemente tais atos e pedem que a população preserve o património público do município, que é de todos nós, e denuncie tais atos para os órgãos competentes. “A ilha é a nossa casa, somos todos responsáveis por ela”.

Outra alegação é que isso “parece muito estranho o “vandalismo” na estrada da Baía é estranho. É estranho porque durante todo o tempo que a estrada esteve a ser reabilitada que só agora, em vias de ser inaugurada venha a ser vandalizada e exatamente com uma palavra-chave da manifestação. Será que foi feito mesmo por alguém próximo das manifestações cívicas?”, questiona.

No entanto, por causa desse desrespeito aos demais munícipes, o responsável pela estrada, determinou que fosse feito uma queixa, para chegar até aos autores. “Se a polícia descobrir quem são os autores, eles serão penalizados conforme a lei, para que isso sirva de exemplo. Onde já se viu, construir com o dinheiro de todos e apenas porprotestos contra o governo um pequeno grupo destruir”diz um internauta.

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