Vendedeiras ambulantes revoltadas com falta de condições de trabalho exigem mais respeito

11/07/2019 23:55 - Modificado em 11/07/2019 23:55
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As vendedeiras ambulantes das ruas de Mindelo manifestaram-se, esta quarta-feira, em frente da Câmara Municipal de São Vicente, para mostrarem o seu desagrado pelo facto das suas vendas serem constantemente apreendidas pela Polícia Fiscal.

Estas alegam que estão a ser maltratadas e desrespeitadas quando apenas pretendem sustentar-se, a si e às suas famílias de forma honesta.

Essa manifestação espontânea teve na sua génese, uma operação realizada esta manhã pelos fiscais do município, em conjunto com a Polícia Nacional, onde as “tinas” de produtos agrícolas foram apreendidos e seis jovens detidos e levados para o Serviço de Fiscalização da Câmara Municipal, para prestar esclarecimentos.

Pela gravidade da situação, as vendedeiras exigem mais respeito por parte dos fiscais do município e exigem da Câmara Municipal de São Vicente melhores condições de trabalho, o que passaria pela construção ou designação de um local para elas efetuarem as suas vendas, mesmo sujeitas ao pagamento de uma taxa.

Maria Teresa, vendedeira ambulante, diz que estão a ser desrespeitadas e não raras vezes agredidas física e psicologicamente pelos fiscais municipais. E com muita tristeza e indignação que vê os fiscais tiram o seu ganha-pão ou de outras companheiras de condição de forma brutal brutalmente, pois trata-se do fruto de “trabalho honesto”.

Estas reconhecem, no entanto, que os fiscais estão a cumprir ordens, mas  que as cumpram com um mínimo de respeito. “Muitas vezes, quando nos abordam, chegam já em clima de guerra, tem que se ter calma e respeito, porque todos nos estamos na luta para termos o que comer”. 

“Eu sei que o Governo e a Câmara Municipal de São Vicente não têm trabalho para todos, mas a única coisa que exigimos da CMSV é respeito e melhores condições de trabalho num local para nossas vendas”, acrescenta ainda.

Cynthia Delgado, ex-vendedora ambulante e filha de uma das vendedeiras ambulantes presentes na manifestação, defende mais respeito para a classe. “Isso é uma injustiça, uma pessoa ganhar o seu ganha-pão honesto para o fiscal vir tomar toda a nossa venda. Não é roubado, pelo contrário as nossas vendas são obtidas com muito esforço” alega.

A jovem ainda exige melhores condições em nome das vendedeiras, porque segundo a mesma “somos todos iguais, com direitos iguais”.

Maria Andrade conhecida por “Santa”, vendedeira ambulante também, diz já com lágrimas nos olhos, que não é de direito serem tratadas assim como animais, porque o trabalho de vendedeira é um trabalho tão digno como qualquer outro trabalho.

Mãe de sete filhos “Santa”, diz que é nas ruas que ela tem o seu ganha-pão, e o seu sentimento é de revolta quando os fiscais apreendem o que é dela.

Santa, juntamente com as outras vendedeiras exigem melhores condições, exigem um espaço digno para a venda de seus produtos, já que nas ruas isso está a causar constrangimentos entre as vendedeiras, os fiscais e demais autoridades.

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