Plataforma das ONG quer uma polícia mais humanista e menos preconceituosa na atuação face aos usuários de drogas

8/07/2019 23:37 - Modificado em 8/07/2019 23:37
Foto: Inforpress

A secretária executiva da Plataforma das Organizações Não Governamentais, ONG’s, Dirce Piloto Varela, defende que haja menos preconceito para com as pessoas que são usuários de drogas e também que estas devem ser valorizadas.

Para a responsável da plataforma que promove até hoje, terça-feira, na Praia, uma formação destinada aos agentes policiais, no âmbito do Programa Regional de Redução de Risco de HIV/BT (PARECO), os serviços prestados pela Polícia Nacional em relação aos usuários de drogas tem que ser mais humanizados e que os seus direitos enquanto cidadãos sejam respeitados.

Segundo a mesma fonte, o objetivo é que esses profissionais obtenham algumas ferramentas que lhes permitam contribuir para a redução de riscos e facilitar o acesso à saúde dos usuários de drogas.

Dirce Piloto diz que no âmbito do projecto PARECO, foi feita uma análise do diagnóstico da sociedade cabo-verdiana em relação à sua situação dos usuários de drogas e esta revelou que “existe uma certa repressão” dos agentes da Polícia Nacional em relação a essas pessoas.

“A repressão existe e vai existir, mas o essencial é que tenhamos a maior consciência de que tipo de repressão é esta, porque é que estamos a fazer, e que essa repressão seja humana”, sublinhou, frisando que a ideia é que os serviços prestados pela Polícia Nacional em relação a esse público alvo sejam mais humanizados.

Dirce Piloto Varela, que é também coordenadora do projecto PARECO, defendeu que para a valorização e humanização dessas pessoas, é necessário trabalhar a questão dos preconceitos, saber se realmente os agentes policiais estão conscientes desta problemática, com que tipo de sujeito é que estão a lidar e se sabem realmente qual é a diferença existente entre o criminoso e o doente que é o usuário.

Por outro lado, disse que a partir da análise do diagnóstico fica a percepção que existe  muito preconceito, estigma e um excesso de repressão em relação aos usuários, sendo certo que a Polícia Nacional tem essa consciência clara de que é preciso trabalhar os sujeitos policiais e tentar sensibilizá-los, uma vez que se trata de um drama social e humano.

“Não se trata de um cenário irreversível. Nós acreditamos que, paulatinamente, vamos ter uma sociedade mais sensível aos usuários, que respeite os seus direitos, porque não perderam os seus direitos constitucionais por serem usuários”, considerou a coordenadora, adiantando que a ideia é fazer com que a população tenha a noção de que o usuário é uma pessoa doente e que precisa de ajuda.

A formação de dois dias decorre no quartel-escola Daniel Monteiro e conta com a participação de 50 agentes policiais.

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