Apesar dos erros, FMI tem tido papel “fulcral” nos 75 anos de existência

7/07/2019 21:00 - Modificado em 7/07/2019 21:00

Os economistas ouvidos pela Lusa consideram que, apesar dos erros cometidos e admitidos, o Fundo Monetário Internacional (FMI), que assinala 75 anos este mês, tem sido uma “instituição fulcral”, contribuindo “positivamente” para a estabilidade económica mundial.

Fundo Monetário Internacional (FMI) assinala 75 anos este mês

Mesmo com os erros de avaliação em vários programas, como foi o caso do programa português, o FMI tem sido uma instituição fulcral para a estabilidade da economia mundial, enquanto fórum de cooperação internacional, enquanto principal impulsionador da harmonização das estatísticas internacionais, facilitando a comparabilidade das economias e a adoção das melhores práticas”, afirmou Rui Bernardes Serra, economista-chefe do Montepio, em declarações à Lusa.

O economista destacou ainda o papel da instituição liderada por Christine Lagarde “enquanto centro de investigação teórica e aplicada e, finalmente, mas não menos importante, enquanto financiador dos Estados, quando os mercados deixam de os financiar”, situação que já aconteceu com Portugal três vezes, em 1977, 1983 e 2011.

Também Miguel Cardoso, economista chefe do BBVA para Espanha e Portugal, referiu à Lusa que “o próprio FMI reconheceu que cometeu erros no passado”, enumerando a implementação de políticas orçamentais muito restritivas (por via da aplicação de medidas de austeridade), o facto de “ignorar a monitorização de indicadores relacionados com a desigualdade ou a implementação de medidas para reduzir a pobreza durante os duros programas de ajustamento”.

O economista do BBVA salientou contudo que, “em qualquer caso, a avaliação da sua existência é muito positiva” e, no seu entender, nos seus 75 anos de existência “o FMI contribuiu positivamente para a estabilidade económica”.

Por um lado, apontou, ao “permitir o acesso a liquidez a países com problemas em conseguir financiamento”, fazendo com que os “ajustes nesses países tenham sido menos intensos do que seriam sem a sua assistência”.

Por outro lado, o economista chefe do BBVA para Espanha e Portugal indicou também que a ajuda técnica do FMI tem melhorado as perspetivas de crescimento económico dos países onde intervém.

“Normalmente o acesso ao financiamento tem sido concedido de maneira condicional, exigindo em troca reformas para restabelecer a credibilidade sobre a capacidade de pagamento dos governos dos países assistidos” e, deste modo, contribuindo para recuperarem a capacidade de se financiarem autonomamente, frisou Miguel Cardoso.

Também João Borges de Assunção, professor da Universidade Católica, afirmou à Lusa que o FMI tem sido uma mais valia à escala global, uma vez que “não há leis de insolvência para os países equivalentes às das empresas ou das fundações”.

“O FMI ajuda a resolver os problemas dos países que têm dificuldades no financiamento da sua balança de pagamentos”, referiu o economista.

O FMI foi concebido em julho de 1944 na Conferência das Nações Unidas de Bretton Woods em New Hampshire, Estados Unidos, na qual os 44 países presentes quiseram construir uma estrutura destinada à cooperação económica internacional e evitar repetir as desvalorizações monetárias que contribuíram para a Grande Depressão dos anos 1930, conforme conta a instituição no seu ‘site’ oficial.

Na sua página na Internet, o FMI apresenta-se como instituição que promove a estabilidade financeira internacional e a cooperação monetária, que facilita o comércio internacional, promove o emprego e o crescimento económico sustentável e ajuda a reduzir a pobreza à escala global.

“O FMI é governado e responsável pelos seus 189 países membros”, lê-se também na página oficial do Fundo na Internet.

Por Lusa

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