Milhares de pessoas mostram o seu descontentamento nas ruas do Mindelo

5/07/2019 18:17 - Modificado em 5/07/2019 18:18

Uma amostra bastante expressiva da população de S. Vicente, quer em idade, género, condição social e económica, saiu às ruas do Mindelo para dar voz ao descontentamento do que, no seu entender, consideram de “autêntico sufoco” do poder central em relação a esta ilha, pedindo mudanças nas medidas e comportamentos dos atores políticos em relação a S. Vicente.

A marcha de protesto terminou com um vasto número de manifestantes, de forma espontânea, frente ao edifício da Câmara Municipal de S. Vicente, fazendo-se ouvir de forma ordeira e ruidosa e proferindo palavras de ordem contra Augusto Neves, o actual presidente da Câmara. Algo que não estava previsto no percurso da manifestação que deveria terminar na Praça D. Luís.  

Para Salvador Mascarenhas, porta-voz do movimento cívico Sokols 2017, o dia 05 de Julho deve ser sempre assim, com manifestações da sociedade civil a insurgir-se contra os agravos dos governos.

No entanto, o mesmo diz que, apesar desta manifestação, não espera nenhuma mudança da parte a quem ela foi destinada, mas acrecenta. “Tem que ter uma mudança politica. E este é um desejo da sociedade civil de estimular a prosseguir nesta luta e assumir as rédeas das nossas vidas. É preciso reciclar e tirar os parasitas do poder para pessoas que possam responder à população e não a interesses partidários e pessoais”.

Esta é a terceira manifestação neste dia, que acontece desde de 2017 e que tem como objetivo a luta contra o centralismo, a ausência de ligações internacionais da companhia aérea nacional, a prestação da Binter e problemas de ligações marítimas, entre outros.

Uma manifestação que pelo número de pessoas deixou a organização satisfeita e acredita que a solução para o país é uma solução política, com uma candidatura independente à Câmara Municipal de São Vicente e mais tarde ao parlamento.

Durante a marcha que começou na Praça Estrela e que percorreu vária artérias do Mindelo, os manifestantes, ao som de apitos, empunharam cartazes como palavras de ordem como: “Autonomia já”, “Soncent crê voa”, “Fora Gust” ou ainda “Soncent já corda” entre outros. Durante a manifestação os participantes aproveitaram para mostrar o seu cartão vermelho aos dirigentes políticos, que na linguagem do futebol, significa expulsão. “O governo cometeu uma falta gravíssima com o país e a melhor maneira de demonstrar isso é assim, desta forma ruidosa”, diz Salvador Mascarenhas.

Os manifestantes percorreram o centro da cidade do Mindelo, numa ação convocada pelo movimento Sokols 2017 denominado “Quem cala consente”, para mostrar a sua indignação e também a reprovação dos manifestantes fez-se ouvir de forma ruidosa, durante todo o percurso que juntou milhares de pessoas na luta pela mesma causa.

Salvador Mascarenhas, porta-voz do movimento Sokols, que promoveu a iniciativa, diz que este ano, quem participou foi porque quer a autonomia; contra a desonestidade do governo; mais competência dos deputados contra bloqueio das ilhas do norte e a favor de um Cabo Verde novo.

Por isso, como movimento cívico de vigilância, o Sokols 2017 tem um papel importante para estimular a cidadania ativa e promover a adesão da população a esta ideia.

A maior reivindicação é a autonomia das ilhas, com a marcação de eleições de listas uninominais, segundo o movimento Sokols que diz ainda que o Estatuto Especial da Praia deve ser reconsiderado.

Durante a manifestação, surgiram pelo meio alguns abaixo-assinado da sociedade civil, de organizações que defendem causas para São Vicente, com destaque para a preservação da Enseda de Corais da praia da Laginha.Mascarenhas considera, no entanto que as pessoas já estavam a espera apenas de um sinal para sair as ruas. “A população sabe o que quer e a juventude sabe o que quer”.

  1. Firmino Silva

    Fico triste que alguns jovens filhinhos do papai, acordaram as 9h de manha, para enfrentar uma fila para uma festa em Mindelo, e quando abordados por mim na possibilidade de participar na manifestação mostraram que não estão nem aí, para o futuro de São Vicente.
    Deixo uma sugestão ao Sokols para estender a sua atividade as Escolas do Ensino Secundário de modo a formar cidadãos responsáveis pois estes são o futuro do país.

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