Acionistas da Unitel disponíveis a vender as suas participações

4/07/2019 01:53 - Modificado em 4/07/2019 01:53
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A viver um impasse no processo de substituição do presidente desde dezembro de 2017, os principais acionistas da gigante das telecomunicações angolanas estão dispostos a vender as suas participações.

Os principais acionistas da operadora móvel angolana Unitel estão dispostos a vender participações na empresa. Esta alteração na empresa, que detém 90% do mercado de Angola, representaria uma “importante abertura numa das maiores mas mais fechadas economias de África”, refere o Finantial Times , que avança a notícia.

A francesa Orange, a britânica Vodafone e a sul-africana MTN já expressaram o seu interesse na compra de participações da Unitel, detida por quatro acionistas, cada um com 25% do capital: a Geni, representada por Leopoldino do Nascimento, a Vidatel, de Isabel dos Santos, a PT Ventures (representada pelos brasileiros da Oi) e a MS Telcom (subsidiária da Sonangol).

A operadora sul-africana foi uma das 27 empresas interessadas no concurso internacional para a exploração da quarta operadora de telecomunicações em Angola, mas desistiu do processo alegando que o concurso estava, “à partida, viciado”.

Avaliada em dois mil milhões de dólares (1,8 mil milhões de euros), a Unitel está desde dezembro de 2017 num impasse para a substituição do atual presidente, Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, que ocupa o cargo desde o início de atividade da empresa, em 2001.

Em março foi eleito um novo conselho de administração para o período 2018/20, que passou a ser formado por Isabel dos Santos, Amílcar Safeca, Miguel Geraldes (que ocupa o lugar de diretor-geral), João Boa Quipipa e Luiz Rosa. O presidente deveria ser eleito na primeira reunião do novo conselho, realizada em junho, mas terminou sem que os quatro acionistas chegassem a consenso.

Abertura da economia angolana

O jornal económico Finantial Times destaca a importância desta possível mudança na estrutura acionista da Unitel, uma empresa que em 2018 tinha 10,4 milhões de assinantes num país com 28 milhões de pessoas, que pode ir além da falta de consenso entre os atuais acionistas.

Lembrando a mudança na liderança política do país após 38 anos de presidência de José Eduardo dos Santos, com João Lourenço a assumir o cargo em setembro de 2017, o jornal relembra a promessa feita pelo novo Chefe de Estado no sentido da revitalização do crescimento económico e na aposta em aumentar o investimento estrangeiro no segundo maior produtor de petróleo da África.

A Unitel, de propriedade privada, é detida em 25% pela Sonangol, a operadora estatal de petróleo e gás de Angola, que está a passar por um profundo processo de reestruturação que prevê a alienação de ativos não essenciais. Para além disso, o Executivo liderado por João Lourenço tem em curso um ambicioso plano de privatizações que envolve setores como as telecomunicações, petróleo, banca e agricultura.

Especialistas do setor das telecomunicações ouvidas pelo Finantial Times defendem que por causa das reformas estruturais do governo, um dos quatro acionistas da Unitel pode vender a sua participação. A brasileira Oi, através da PT Ventures, possui 25% da empresa, mas com a reestruturação da operadora brasileira a ser supervisionada pelo tribunal, os especialistas dizem que esta pode estar interessada em recuperar o dinheiro investido na telecom angolana.

Em março, um tribunal de arbitragem de Paris determinou que a Oi devia 654 milhões de dólares (568,8 milhões de euros) em dividendos não pagos da Unitel, decisão de que recorreram os outros acionistas da empresa.

“Quando estas questões legais forem resolvidas, acredito que a Unitel será a candidata certa para entrar numa bolsa de valores internacional”, afirmou então Isabel dos Santos ao Finantial Times.

Com um volume de negócios de 958 milhões de dólares (845 milhões de euros) e lucros de 306 milhões de dólares (271 milhões de euros), a Unitel é a segunda maior empresa angolana, a seguir à Sonangol, mas, segundo Isabel dos Santos, as margens de lucro caíram substancialmente consequência da desvalorização de 87% do Kwanza em 2018 e do longo período de recessão da economia angolana.

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