Alemanha quer libertação de capitã de navio. Resgate “foi humanitário”

1/07/2019 14:04 - Modificado em 1/07/2019 14:04
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O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros defendeu hoje que a capitã do navio humanitário de resgate de migrantes, que atracou sem autorização em Lampedusa, Itália, deve ser libertada porque o ato foi humanitário e não criminoso.

Heiko Maas disse hoje aos jornalistas que esteve em contacto com as autoridades italianas para sublinhar “não ser aceitável” a criminalização do resgate de migrantes no Mediterrâneo.

A capitã do navio humanitário de resgate de migrantes, a alemã Carola Rackete, atracou sem autorização em Lampedusa após vários dias de espera no mar, e vai ser hoje ouvida em tribunal para saber se permanece em prisão domiciliária.

“O resgate no mar não é um crime, é um ato humanitário e, portanto, qualquer coisa que não leve a sua libertação será considerado causa de grande irritação”, avisou Heiko Maas.

O ministro alemão reiterou também que a nível europeu deve pôr-se fim de uma vez por todas à disputa sobre a repartição de refugiados, que qualificou de “indigna”.

Rackete desafiou o ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, e as autoridades portuárias ao entrar, na sexta-feira à noite, com o navio Sea-Watch 3 na doca de Lampedusa para que 40 migrantes pudessem desembarcar.

A acusação alega que a capitã atacou deliberadamente um barco da polícia de fronteira que bloqueava o seu caminho, enquanto os advogados de Rackete dizem que ela não pretendia prejudicar ninguém.

Acusada de tentar uma manobra perigosa, a capitã Carola Rackete, de 31 anos, garantiu que nunca pensou na sua ação como “um ato de violência, mas apenas de desobediência”.

Em entrevista publicada no domingo pelo jornal Corriere della Sera, Carola Rackete explicou que, naquele momento, atracar em Lampedusa pareceu-lhe ser a única solução face à “situação desesperada” que se vivia a bordo.

Com 40 imigrantes resgatados do mar há 17 dias, a capitã do navio da organização humanitária Sea-Watch tinha declarado o estado de emergência a bordo há mais de um dia (36 horas), recordou.

“A situação era desesperante, o meu objetivo era apenas trazer pessoas exaustas e desesperadas para o chão. Eu estava com medo”, disse, explicando que temia que os imigrantes se atirassem ao mar, o que acabaria por significar a sua morte uma vez que não sabiam nadar.

“Certamente não queria tocar na alfândega, a minha intenção não era colocar ninguém em perigo, eu já me desculpei e peço desculpas novamente”, continuou.

A sua manobra na noite de sexta para sábado para atracar em Lampedusa não causou feridos e o navio conseguiu desembarcar os migrantes que tinha resgatado da costa da Líbia. No entanto, é acusada de ajuda à imigração ilegal e resistência a um navio de guerra.

Por Lusa

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