África é destino “natural” para deslocação industrial da China

30/06/2019 23:22 - Modificado em 30/06/2019 23:22
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O ministro da Indústria e Comércio de Moçambique, Ragendra Berta de Sousa, afirmou hoje que a deslocação industrial da China tem África como “destino natural”, face à baixa densidade populacional e recursos abundantes do continente.

“A deslocação industrial da China está a fazer-se para o continente africano”, descreveu Berta de Sousa, à agência Lusa, em Changsha, no centro da China, onde participa na primeira Exposição Económica e Comercial China/África.

Lembrando que aquele país asiático “atingiu o ponto (máximo) da curva da industrialização”, o ministro considerou que África é o destino “económico natural” para a China iniciar o processo de “deslocação industrial”.

“Nós temos muito espaço e uma baixa densidade populacional”, argumentou.

Em setembro passado, no arranque da terceira cimeira do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), em Pequim, o Presidente chinês, Xi Jinping, estabeleceu como objetivos da cooperação para os próximos anos as áreas industrial, agricultura, infraestrutura, ensino e segurança.

Pequim comprometeu-se ainda a lançar, em conjunto com a União Africana, um projeto de conectividade entre as infraestruturas do continente, que incorpore energia, transporte, informação, telecomunicações e recursos hídricos.

Críticos apontam que a China está a pilhar os recursos naturais do continente e a conduzir estes países para a armadilha do endividamento, ao conceder crédito a nações financeiramente débeis.

Berta de Sousa admitiu que a relação entre Pequim e o continente africano “tem a sua parte ideológica e geopolítica”, mas lembrou que “no mundo moderno o que de facto é determinante são as variantes económicas”.

“É algo que interessa economicamente aos dois lados”, lembrou.

Na última década, enquanto as economias desenvolvidas estagnaram, a China construiu a maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, mais de oitenta aeroportos e dezenas de cidades de raiz, alargando a classe média chinesa em centenas de milhões de pessoas.

À medida que a mão-de-obra chinesa encarece, e o país se começa a focar na produção de alta tecnologia, necessita de delegar para outras geografias a produção de componentes com baixo valor agregado e bens agrícolas, e de garantir a sua segurança energética.

“África é uma solução”, realçou o ministro.

Por Lusa

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