Pena de morte pedida para acusados da morte de escandinavas em Marrocos

27/06/2019 17:40 - Modificado em 27/06/2019 17:40
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A acusação pediu hoje a pena capital contra três dos 24 acusados julgados por um tribunal antiterrorista marroquino pelo assassínio de duas jovens turistas escandinavas, decapitadas em dezembro em nome do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

A pena de morte foi pedida contra Abdessamad Ejjoud, um comerciante ambulante de 25 anos considerado o cérebro do grupo e contra dois outros marroquinos radicalizados e envolvidos nestas mortes, que ocorreram em meados de dezembro na região do Alto Altas.

Os três homens confessaram o seu envolvimento na execução de Louisa Vesterager Jespersen, uma estudante dinamarquesa de 24 anos, e da sua amiga norueguesa Maren Ueland, 28 anos, que acampavam no Alto Atlas (sul de Marrocos).

O procurador requereu de seguida penas entre 15 anos e prisão perpétua para os restantes acusados, com idades entre os 20 e 51 anos, todos provenientes de meios modestos e que viviam nos bairros deserdados de Marraquexe, a capital turística de Marrocos.

A prisão perpétua foi pedida contra Abderrahim Khayali, um canalizador de 33 anos, que acompanhou o trio nas montanhas do Alto Atlas mas que regressou antes das mortes para procurar um refúgio em Marraquexe, após duas anteriores tentativas mal sucedidas para agredir outros caminhantes estrangeiros.

O procurador solicitou 30 anos de prisão para três acusados, 25 anos para outros dois, 20 anos para nove, incluindo Kevin Zoller Guervos, um hispano-suiço convertido ao Islão, e 15 para os três restantes.

Na ata de acusação, foi referido que o grupo promoveu diversas ações terroristas abortadas contra diversos alvos, antes do duplo assassínio. Também foi sublinhado que todos os acusados, à exceção de três, reconheceram ser apoiantes do EI.

O procurador sublinhou que o relatório da autópsia indica 23 ferimentos no corpo decapitado de Louisa e sete no de Maren, antes de qualificar de “monstros sanguinários” os três homens que confessaram o crime.

Abdessamad Ejjoud, já envolvido em processos com a justiça e que se tornou imã clandestino, reconheceu ter decapitado uma das turistas. Younes Ouaziyad, um carpinteiro de 27 anos, reconheceu ter morto a segunda, enquanto Rachid Afatti, 33 anos, filmava a cena com o seu telemóvel portátil.

As imagens foram divulgadas nas redes sociais, antes da difusão do seu vídeo de obediência ao EI, que nunca reivindicou o duplo assassínio.

As condenações à morte continuam a ser pronunciadas em Marrocos, mas uma moratória é aplicada de facto desde 1993, e a sua abolição é tema de debate, com a nova Constituição aprovada em 2011 a prever explicitamente o “direito à vida”.

Diversas petições circularam na Internet exigindo a pena de morte para os assassinos das duas escandinavas.

Por Lusa

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