MCCR rebate afirmações da CMP sobre abate de cães vadios: “É vaga e de má-fé”

19/06/2019 01:26 - Modificado em 19/06/2019 01:29

O Movimento Civil Comunidades Responsáveis (MCCR), assegurou nesta terça-feira, que com a morte de cães vadios através da eletrocussão, a Câmara Municipal da Praia não tem cumprido com o acordo assinado em 2018, classificando ainda de “vaga e de má-fé” as declarações feitas pelo vereador do ambiente da CMP, que acusou o MCCR de denegrir a imagem da edilidade por desenvolver uma campanha de inverdades com contornos políticos.

Em conferência de imprensa, realizada na cidade da Praia, na segunda-feira, 17, António Lopes da Silva, vereador da CMP, acusou o Movimento Civil para as Comunidades Responsáveis de ter intenções políticas, assumindo ainda que, a eletrocussão é um método recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Em resposta à edilidade praiense, o Movimento Civil Comunidades Responsáveis (MCCR), em comunicado enviado ao NN, sustentou que a CMP assinou um protocolo com o MCCR, que visava a proteção dos cães vadios, mas que a partir de Julho de 2018 a edilidade praiense deixou de cumprir o protocolo assinado.

A mesma fonte esclarece que identificou a falta de capacidade de castração face à enorme demanda e propôs à CMP o estabelecimento de uma unidade de castração autónoma contínua pela qual cobraria um preço justo, nalguns casos também gratuitamente, sendo esta uma unidade essencial para a diminuição do número de cães na rua.

Nisso aponta que o vereador António Lopes da Silva ficou, entretanto, de convocar uma reunião técnica para acordar um plano de trabalho mas que até hoje não aconteceu, apesar de várias insistências do MCCR. “A matança massiva dos cães continuou com extrema crueldade” esclarece.

O MCCR esclarece que trabalha em rede com várias organizações internacionais de defesa dos direitos dos animais e tem apresentado soluções à CMP para uma gestão ética da população canina e também procurado, pela via do diálogo, resolver a situação e fazer cumprir o protocolo celebrado mas “sempre sem sucesso”. Entendendo que a Câmara Municipal, na pessoa do vereador, não manifesta qualquer interesse no trabalho da MCCR, apelidando-a de «Comunidade Irresponsável».

O processo de captura dos cães, esta assegura é um processo extremamente traumatizante para os animais, pela “crueldade” com que é feita. “A captura praticada pela CMP já é claramente um ato de maltrato. Os cães são atirados para o carro do lixo, com toda a brutalidade. Muitas vezes neste processo os ossos dos cães são fraturados. São colocados na lixeira em condições extremamente precárias”.

Por tudo isto, e demarcando-se expressamente da partidarização do Movimento, a mesma considera a resposta do vereador António Lopes Silva, “vaga e de má-fé”, onde o foco foi acusar o MCCR e não resolver a situação que por estes dias tem indignado a opinião pública e posto Cabo Verde, pelas piores razões, em manchetes nacionais e internacionais.

Sem entendimento à vista entre as duas partes, por entender que a CMP não quer dialogar, o MCCR vinca que continuará com esta luta, até que a CM da Praia anuncie o fim desta prática que considera “horrenda e hedionda” que não se coaduna com um país cuja imagem internacional é associada aos conceitos do bem-estar, estabilidade e morabeza.

“Em nenhum momento a CM Praia manifestou desejo de um diálogo profícuo com o MCCR, continuando a desconsiderar a nossa ação; tão pouco reconheceu que deve abandonar o método do abate dos animais imediatamente, contrariando todas as missivas que já recebeu por estes dias, de várias entidades internacionais que condenam esta prática”.

A mesma termina apelando a todos para uma reflexão profunda, a análise dos fatos e das soluções para diminuir a população canina, com rosto humano, de acordo com os valores do século XXI e sem causar sofrimento aos animais.

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