PJ de Cabo Verde atenta aos riscos de branqueamento de capitais associados ao jogo

18/06/2019 01:11 - Modificado em 18/06/2019 01:11

A Polícia Judiciária está atenta aos riscos de branqueamento de capitais associados ao jogo, embora neste país o maior risco esteja ligado ao tráfico de droga, disse hoje à Lusa o diretor nacional.

António Sebastião Sousa falava à agência Lusa no final da cerimónia de abertura da formação sobre o “Reforço das capacidades de luta contra o branqueamento de capitais na África Ocidental”, que decorre na cidade da Praia.

Citando o relatório nacional da avaliação de risco, datado de novembro de 2017, o diretor nacional da PJ disse que os riscos mais elevados têm a ver com o tráfico de droga, mas sublinhou que “há outros riscos associados, como o tráfico de pessoas”.

“Também a questão da corrupção, que não podemos ignorar, as fraudes fiscais, os crimes contra o património, que podem originar vantagens ilícitas, outros crimes económicos e financeiros que gerem sempre avultados recursos ilícitos que devem ser combatidos”, acrescentou.

Relativamente ao jogo, a propósito da construção de um casino de significativas dimensões na cidade da Praia, resultante de um investimento do empresário macaense David Chow, António Sebastião Sousa reconhece que também existem “riscos que podem decorrer das atividades do jogo” e garantiu que “a PJ está ciente dessa realidade e está preparada para efetivamente atacar, não de forma cega”.

Embora Cabo Verde já tenha um casino na ilha do Sal, esta é “uma realidade ainda nova”, disse o diretor da PJ cabo-verdiana.

“Temos de nos adaptar a essa realidade e formar investigadores nessa área, que é uma área nova, e contar com a colaboração das nossas congéneres que já têm experiência nesse domínio para poder prevenir e combater fenómenos que possam advir dessas atividades”, comentou.

“A formação específica tem de ser sempre e contínua. É uma necessidade e temos de apostar nesse âmbito”, adiantou.

Na sessão de abertura, o encarregado de negócios da União Europeia, Ulrich Weins, afirmou que “a segurança de Cabo Verde é também a segurança da União Europeia” e que “a segurança da União Europeia é importante para Cabo Verde”.

A esse propósito, recordou que no ano passado registaram-se mais de 200 ataques a navios civis comerciais na zona do Golfo da Guiné, o que demonstra a necessidade de uma aposta contínua na segurança desta região.

Relativamente a Cabo Verde, onde o branqueamento de capitais está essencialmente ligado à droga, Ulrich Weins recordou a profícua cooperação que tem dado resultados com impacto internacional.

“Temos resultados espetaculares, como grandes apreensões que são resultado da cooperação internacional”, adiantou.

Lusa

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