“Quem ama não mata”: Passeata em protesto contra casos de feminicídio no país

9/06/2019 23:32 - Modificado em 9/06/2019 23:32
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Sob o lema “Quem ama não mata”, uma equipa de enfermeiros do Hospital Ramiro Alves Figueira fez uma passeata pelas ruas de Espargos, ilha do Sal, com concentração à frente do Comando da Polícia Nacional (PN), seguindo depois para Hortelã, Chã de Matias e até chegar à Delegacia de Saúde, chamando a atenção e reflexão das pessoas sobre a problemática

A enfermeira Cristina Maria Santos, em representação dos colegas, disse que a marcha teve como propósito chamar a atenção no sentido de sensibilizar a população para os “inúmeros e preocupantes casos abomináveis” de feminicídio registados tanto na ilha, como a nível no país.

 “Então, realizamos essa passeata como um grito de revolta para sensibilizar a população a dizer um basta ao problema, um stop à violência, a não ficar calada, a denunciar casos de VBG, porque quem ama não mata”, exteriorizou a enfermeira Cristina, citada pela Inforpress.

Nessa qualidade, questionada o que sente ao deparar-se com uma vítima, supostamente, de VBG para triagem ou tratamento. Conta que, na maior parte das vezes, “infelizmente”, estas escondem o facto, por vergonha ou medo.

“Como não temos ainda um sistema bem definido e avançado, muitas vezes sentimo-nos impotentes perante as situações. Mas orientamos as vítimas, encaminhamo-las para as autoridades competentes. Mas muitas vezes escondem, não denunciam por medo, deixando entalado o seu grito de socorro”, disse.

Segundo Cristina Santos, o perfil das vítimas, na sua maioria, são mulheres dependentes financeiramente do homem, que por sua vez, sentindo-se na posição de superioridade, disse, acaba por sentir-se, dono dela.

“Enquanto a mulher vai se submetendo ao marido ou companheiro. Machismo, falta de autonomia financeira e social da mulher, também o problema cultural, é que tem provocado a situação. Mas já é momento de todos dizerem um basta à problemática, denunciando”, instigou.

“Muitas vezes quando chegam ao sistema de saúde não se identificam como sendo vítimas de VBG, e aí, a nós enfermeiros, fica-nos difícil provar que se trata de um caso de violência baseada no género. Há que mudar de comportamento e atitude… denunciando, para evitar que esses casos fiquem camuflados”, apelou.

Esta marcha enquadra-se no âmbito da celebração do Dia Internacional do Enfermeiro que se assinala a 12 de Maio.

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