Diminuição do movimento de aviões e passageiros em São Vicente não surpreendeu os mindelenses

4/06/2019 02:02 - Modificado em 4/06/2019 02:02
Foto: RTC

As estatísticas dos transportes referentes ao primeiro trimestre de 2019, tornadas públicas nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), revelam que se registou em Cabo Verde um acréscimo no número de aviões e passageiros, movimentados nos aeroportos e aeródromos nacionais.

Ora, neste cenário, os dados referentes a São Vicente não são animadores, o que não apanhou os mindelenses de surpresa, mas vincam que a luta, para a reposição dos voos internacionais da companhia de bandeira, vai continuar até que as suas reivindicações sejam atendidas.

Concretamente a São Vicente, durante o mês de Janeiro deste ano, o Aeroporto Internacional Cesária Évora (AICE) registou 314 movimentos de aeronaves, sendo 237 domésticos e 77 internacionais. No mesmo período de 2018, foram contabilizados 326 movimentos, dos quais 253 foram domésticos e 73 internacionais, ou seja, isso mostra que em 2019 houve um decréscimo.

Em Janeiro de 2018, passaram pelo aeroporto, 12.528 passageiros domésticos contra 7.328 internacionais. Os números deste mesmo período em 2019, mostram que por este aeroporto passaram 20.172 passageiros, sendo 11.690 domésticos e 8.482 internacionais. Menos 1,6% do que em 2018.

Já em Fevereiro deste ano, o AICE recebeu 256 aeronaves, 192 nas rotas domésticas e 64 internacionais, contra 326 no mesmo período de 2018, o que representa uma redução de 70 movimentos. No que toca aos passageiros, foram transportados 18.362, sendo 10.272 domésticos e 8.090 internacionais. No mesmo período do ano passado passaram pelo AICE 20.673 passageiros.

Quem não ficou surpreso com estes números foram os mindelenses abordados pelo NN, que unanimemente afirmaram que se não há voos internacionais da CV Airlines, de e para São Vicente, as estatísticas não seriam as melhores para a ilha que a cada dia que passa está se vendo “abandonada à sua sorte”.

Para Carlos da Luz, não há como estranhar este cenário, pois entende que com a retirada dos voos da companhia de bandeira dos voos internacionais de e para São Vicente, a ilha ficou, desprovida e sem o poder de reacção. “Peço a todos os mindelenses para  arregaçarmos as mangas e irmos à luta, para que seja reposto o que é nosso de direito. Sentimo-nos totalmente excluídos de Cabo Verde” confidência.

 Já Cláudia Lopes assegura que o tempo de bonança em São Vicente já terminou, e alerta os mindelenses a consciencializarem-se de que é preciso ir à luta com afinco, porque até ao momento o Governo tem feito descaso à voz do povo sanvicentino. “Estes números não me apanharam desprevenida, já estava a espera. Vejamos o caso da Praia e do Sal, onde a promoções constantes para o exterior e nós aqui cingidos a altas taxas de viagens, claro que nessas ilhas a movimentação é maior. É preciso dar uma basta nisso, porque São Vicente não merece pagar a má governação dos governantes” vinca.

Na mesma linha de suguem as declarações de Marcelo Pires. Este diz que os números mostram o real valor que São Vicente tem para quem governa. Este vai mais além e culpa o Governo pela real situação que a ilha se encontra mergulhada neste momento, em termos de voos internacionais da companhia de bandeira e pede um tratamento igual para todas as ilhas. “Neste fim-de-semana chegou à Cabo Verde mais um avião da Cabo Verde Airlines. O Governo está mais preocupado em dar nomes aos aviões do que com o que passa nas outras ilhas. Fico à espera para saber quando um desses aviões vai aterrar no nosso AICE” diz este mindelense.

De realçar que o Movimento Cívico Sokols 2017, tem programado uma manifestação para o dia 05 de Julho, que poderá levar milhares de pessoas às ruas, para demonstrarem o seu descontentamento perante a situação vivida na ilha nos dias de hoje. Sendo que um dos pontos vai ser a pressão para a retoma dos voos internacionais por parte da CV Airlines de e para São Vicente.

  1. Carlos Fortes

    314 voos por mês num Aeroporto que se diz ser INTERNACIONAL! Creio tratar-se de um lapso e que este número de voos deverá ser por hora e não por més.
    Ou será que nós perdemos por completo a ideia do significado da palavra INTERNACIONAL?

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