O COMUNISMO EM SÃO VICENTE

31/05/2019 02:10 - Modificado em 31/05/2019 02:10
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CRÓNICA DE IVANILDO DA LUZ

Esta ilha está um holocausto, reinado ao mais hediondo pessimismo dos Mindelenses. Ainda assim três homens estão sentados num barzinho a expressar as suas loucuras acompanhadas por um conhaque de péssimo sabor.

– Sabes Renato, sonhei com Che Guevara! – disse angustiado Pedro.  – Devíamos seguir as suas pisadas.

 – Estás louco, Pedro – contrapôs André preocupado.  – Queres implementar o Comunismo em São Vicente.

 – Então vais ser engolido por este governo capitalista – respondeu Pedro exacerbado. – Vê como esta ilha anda: o pobre está definhando de fome, de ódio, de falta de dinheiro e até da falta de uma namorada, ou o oposto.  

– Tens toda razão! – assentiu Renato com uma voz grave e dura. – Porra! Há três anos que tento mudar o meu colchão deprimente, e vivo à mercê de um prato de comida, se bem que graças a um dia de trabalho na construção civil.

André mudou de semblante, encheu o seu copo de conhaque:

– Temos o movimento SOKOLS, e nós não passamos de três miseráveis condenados, a morrer como um Judeu.

– Não vês André – disse Pedro – aquele movimento a maioria dos seus dirigentes são capitalistas, e não falam a língua dos pobres! Sabes o que significa execrável; André assentiu que não – acrescentou o comuna. – Nós somos a pobreza e a língua materna do nosso povo, podemos começar com uns cinquenta e daqui há alguns meses já contamos com quinhentos comunistas em São Vicente.

 – Estou contigo – concordou placidamente Renato. – Os pobres é que devem ser os primeiros anarquistas! Nós não temos nada e de nada somos feitos.

– Mas quem vai acreditar em nós? – perguntou André, sempre com  ar desconfiado. – Para além disso ninguém sabe o que é o comunismo?

 O comunismo é a visão de Jesus Cristo sobre São Vicente – respondeu Pedro muito enaltecido. – É DIVIDIR E DAR!

– Muito bem Pedro – continuou Renato. – Quem tiver duas casas, dois carros, dois pedaços de terrenos, vai ter que o dividir com o seu próximo.

– Meus amigos já ouvi que chega por hoje – afirmou André inflexível abandonando o bar.  – Pensam que isto é Santo Antão, onde Carlos Veiga fez a reforma agrária . Não ! Isto é São Vicente, e neste pedaço de terra ninguém é capaz de dividir um copo de água.

– Bem Pedro, nisto ele têm toda a razão do mundo – assegurou Renato levantando-se. – Mas de qualquer maneira! Viva o COMUNISMO! Ressuscita o CHE GUEVARA.

Pedro sozinho no botequim pensou alto « Se isto der pro torto, morrerei sepultado como os olhos de Jesus Cristo.»

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