Trabalhadores da ICCO : “um aumento de 300 escudos é uma injúria”

29/05/2019 00:23 - Modificado em 29/05/2019 00:23
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Greve dos trabalhadores da ICCO | Foto: Expresso das Ilhas

Após a realização da grave dos trabalhadores da Indústria de Componentes e Calçados Ortopédicos (ICCO), em São Vicente, nos dias 21 e 22 deste mês, a direção da empresa, afirmou à comunicação social que aderiram à greve menos de 92% dos trabalhadores que a SICSA tinha estimado. Alguns trabalhadores, em declarações ao NN, apontam que estas declarações não condizem com a verdade e dizem-se humilhados e marginalizados na empresa.

Esses trabalhadores da empresa, afirmam que tanto no primeiro como no segundo dia de greve, foram marcadas mais de 150 faltas aos trabalhadores, o que mostra a grande adesão dos mesmos à greve. Na greve, acrescentam, não participaram somente os trabalhadores da manutenção, cozinha e administração, isto numa empresa com 240 funcionários.

Os mesmos dizem que desde 2014, altura que a actual direcção tomou frente da empresa, vivem numa “autentica escravatura”. Pois, para além dos salários que consideram “miseráveis” ainda sofrem consequências graves, devido  a  com cortes drásticos no salário em caso de atrasos

“Depois de oito anos de trabalho sem aumentos 30, 40 e 50, 100, 250 escudos são uma injúria. A diretora diz que houve um aumento de 800 escudos nos salários, mas não condiz com a verdade, pois na linha de produção ninguém teve esse aumento. Temos um prémio de produção mas este às vezes nem o vemos”, diz uma trabalhadora.

As mesmas asseguram que até agora de nada serviu a greve que fizeram, pois em nenhum momento houve abertura por parte da direcção em ouvir as revindicações dos trabalhadores. Conforme estes trabalhadores, o SIACSA, após o encontro com a direcção afirmou que esta comunicou que não via motivos para aumentar o salário dos funcionários, pois já o tinha feito.

As condições precárias no local de trabalho, também são apontadas pelos funcionários como uma das razões no centro das revindicações. Estas exigem melhores condições de higiene nesta unidade industrial situada no Lazareto. Mesmo com um salário precário, os trabalhadores vincam que são eles é que efectuam o pagamento do transporte de Lazareto até a cidade, num montante de 1500 escudos por mês. “Estamos a viver dentro da empresa uma situação de humilhação total” adiantam.

Alguns, com mais de 18 anos de trabalhos na empresa dizem  que não receberam até ainda 300 escudos de aumento, o que consideram ser uma falta de respeito para com a classe trabalhadora, que são a força motora da produção da empresa. Mas vincam que devido aos cortes sucessivos no salário base, nunca puderam constatar se houve algum aumento.

O NN tentará trazer em breve a reacção da direcção sobre estas declarações dos trabalhadores da empresa sediada em Lazareto.

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