Três décadas do desaparecimento de Baltazar Lopes da Silva

27/05/2019 01:39 - Modificado em 27/05/2019 01:40
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Natural de São Nicolau, Baltasar Lopes da Silva faleceu a 28 de Maio de 1989, em Lisboa (Portugal).

A Câmara Municipal de Santa Catarina organiza na próxima quarta-feira, 29, no Centro Cultural Norberto Tavares um grande evento cultural para assinalar três décadas sobre a morte do autor de “Chiquinho”.

 “30 anos sem Baltasar Lopes – Assomada pelos caminhos de Chiquinho” é o lema do evento que  conta com uma performance do ator de São Nicolau Ilídio Soares, momento musical com Leroy Pinto e Amigos e a apresentação do livro “ACUSHNET AVENUE (Pelos Caminhos de Chiquinho)”, de José J. Cabral, por António Alte Pinho.

Além destas actividades, ainda uma Evocação do 30º Aniversário da Morte de Baltasar Lopes, por Jassira Monteiro e, por último, uma intervenção sobre a passagem dos 200 Anos de Relações Consulares Cabo Verde-EUA, por José J. Cabral.

Baltasar Lopes

Baltasar Lopes da Silva nasceu na aldeia do Caleijão, na ilha de São Nicolau, em Cabo Verde, no dia 23 de Abril de 1907, e faleceu a 28 de Maio de 1989, em Lisboa (Portugal).

Tendo concluído os seus estudos secundários no seminário de São Vicente, viajou para Portugal para estudar na Universidade de Lisboa. Durante o seu tempo na capital portuguesa, Baltasar Lopes estudou com importantes nomes da cultura lusa, como por exemplo, Vitorino Nemésio e Câmara Reis. Formou-se em Direito e Filologia Românica, tendo sempre obtido excelentes resultados durante os seus estudos académicos.

Depois da universidade, Baltasar Lopes regressou a Cabo verde, onde exerceu o cargo de professor no Liceu Gil Eanes, em São Vicente. Apôs alguns anos, foi nomeado reitor deste liceu. Chegou a lecionar em Leiria (Portugal), por um breve período, mas devido a questões de relacionamento com a política portuguesa daquela época (de que Baltasar era um opositor assumido), regressou a Cabo Verde onde continuou educando e exercendo a advocacia.

Os seus últimos dias foram passados em Lisboa, para onde foi transferido para tratamento de uma doença cerebrovascular, falecendo pouco depois, no dia 28 de maio de 1989.

Em 1936, Baltasar Lopes, com a colaboração de outros escritores, como Manuel Lopes, Manuel Ferreira, António Aurélio Gonçalves, Francisco José Tenreiro, Jorge Barbosa e Daniel Felipe, fundaram a revista caboverdiana “Claridade”. Com esta publicação, os escritores aproveitavam para denunciar os problemas sociais ao mesmo tempo que deram a conhecer as raízes da Cultura caboverdiana.

Para além do seu romance referencial, “Chiquinho” (1947), Baltasar Lopes publicou “Cabo Verde visto por Gilberto Freyre” (1956); “O dialecto crioulo de Cabo Verde” (1957); “Antologia da Ficção Cabo-verdiana Contemporânea” (1961); o livro de poesia “Cântico da Manhã Futura” (1986), utilizando o pseudónimo literário de Osvaldo Alcântara, e o livro de contos “Os trabalhos e os dias” (1987).

Acushnet Avenue

Corria 1985 quando Baltasar Lopes deu uma entrevista a Michel Laban. Estávamos no mês de setembro e, quando questionado sobre se já tinha pensado escrever a continuação de “Chiquinho”, o pedagogo e intelectual caboverdiano respondeu assim: «Pensei, sim! Tinha procurado ir à América… até já tinha como título “Acushnet Avenue”, que é o nome de uma rua dos caboverdianos em New Bedford».

É precisamente esse título que, trinta anos após a morte do mestre, José J. Cabral leva ao prelo e apresenta “ACUSHNET AVENUE (Pelos Caminhos de Chiquinho)” ao país e, em particular, ao público de Assomada.

José J. Cabral

Natural de Fajã de Baixo, ilha de São Nicolau, José J. Cabral fez os estudos liceais no Mindelo e os universitários no Brasil, tendo publicado “Padre Gesualdo Fiorini, italiano de São Nicolau, cidadão” (2007), “Sodade de nhã terra Saninclau” (2008) e “Caminho(s) que trilharam” (2014).

Com passagem pela política ativa, onde exerceu as funções de vereador na antiga Câmara Municipal de São Nicolau (hoje da Ribeira Brava) e pertenceu à Comissão Instaladora do Município do Tarrafal, José J. Cabral já foi professor, é quadro do Instituto Nacional do Desenvolvimento das Pescas e, atualmente, integra o Conselho Científico do Museu da Pesca, em Tarrafal de São Nicolau, e é membro do Cape Verdian Advisory Committee, do prestigiado Museu da Baleia de New Bedford, EUA.

É considerado um dos grandes especialistas caboverdianos em baleação e desenvolve investigação histórica no domínio da deportação do Estado Novo para Cabo Verde, que esteve na origem da Revolta da Madeira, ao mesmo tempo que tem tido intervenção ativa no que respeita à proteção ambiental, tendo integrado o Comité Técnico das Áreas Protegidas Nacionais, participando ativamente na criação dos dois primeiros parques naturais de Cabo Verde: Monte Gordo e Serra Malagueta.

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