Criança na ilha do Sal que foi levada por engano do jardim infantil: o outro lado da história

22/05/2019 01:26 - Modificado em 22/05/2019 01:27
Landa Soares: “A minha vida transformou-se num inferno”

Landa Soares está no epicentro de todo um mal-entendido. Diz que desde a altura, no dia 15 de Maio, quando a criança foi levada do jardim infantil Nhô Padre, tem sofrido perseguições, ofensas e difamações de pessoas que a acusam de ter agido de má-fé.

Devido a toda a situação que foi criada, diz sentir-se como se fosse uma criminosa, apesar de nada ter feito para tal. O que aconteceu foi um sucessivo de mal entendidos e de negligência da supervisora do jardim-infantil e no final foi a culpa acabou por ser assacada a ela, já que a criança estava a cargo de uma outra pessoa e por ordem sua.

O caso aconteceu na passada semana, 15 Maio, na cidade de Santa Maria, ilha do Sal. Landa Soares conta que tudo aconteceu devido ao engano de um taxista e a negligência da supervisora do jardim. Mas no final, quem está a sofrer as consequências é ela. Mãe de dois filhos, que desde do incidente, as pessoas olham para ela como se fosse uma irresponsável, ou pior: uma criminosa.

Diz que no dia em questão deixou a filha no jardim, como sempre acontece, mas neste dia foi acompanhar o funeral de um familiar na cidade de Espargos e prevendo que chegaria depois do horário de saída da criança, contactou o pai da mesma, mas este mostrou-se indisponível para a ir buscar, porque estaria de serviço naquele horário e não poderia lá ir.

Tentou com os familiares próximos, mas também mostraram-se impossibilitados, nisso recorreu a um amigo de longa data e de confiança. Este disponibilizou-se para ir buscar a criança e enviou um taxista para cumprir a tarefa.

O taxista ao chegar no local, disse à supervisora ao que vinha, tendo esta, que estava noutra sala, ido buscar a criança. Ora acontece que este trocou o nome da criança, por um semelhante e acabou por levar outra criança que não era a filha da sua amiga, tendo-a deixado, por ordem da mãe, na casa de uma vizinha, uma senhora de idade, que costuma ficar com a filha.

Ciente que a filha se encontrava bem e em local seguro, retornou a Santa Maria, e no caminho recebeu uma chamada da professora da criança a alertá-la que já tinha ultrapassado o horário de saída e que a sua filha era a única que ainda se encontrava no local. Nisto respondeu que alguém já tinha levado a criança, situação prontamente negada pela professora.

Diz que pediu desculpas e foi buscar a filha. Mas não chegou sequer a pensar na possibilidade de outra criança, por engano, estar com a sua vizinha por engano e como tal foi diretamente para casa.

Passadas algumas horas, recebeu no Facebook uma notificação de uma criança desaparecida e que frequentava o mesmo jardim da filha. Foi ai, com base nessa informação, que começou a conjecturar a possibilidade do taxista ter trazido a criança errada.

Com base nesta desconfiança, contactou a vizinha e descobriu que as suas suspeitas estavam certas. Com o intuito de tranquilizar o mais rapidamente possível os familiares da criança, enviou uma mensagem dizendo que ela não tinha sido raptada, mas que infelizmente houve um engano. Também contactou o ex-marido, que é polícia, alertando-o sobre a situação.

De imediato a Polícia Nacional deslocou-se a sua casa para se inteirar da situação e agir de forma a devolver a menor. Entretanto ao chegar em sua casa, conta que o comandante da Esquadra de Santa Maria a abordou de uma forma agressiva, caluniando-a, sem saber ao certo o que se passava. E em vez de a conduzir à esquadra para esclarecer a situação, apenas a ofendeu e levou consigo a criança. “Fiquei sem reação com a atitude do comandante. É um caso sensível sim. Por um lado senti-me consciente do que havia acontecido, mas o erro foi do jardim ao liberar uma criança sem ao menos confirmar a veracidade do que foi dito pelo taxista” conta Landa.

Ainda no mesmo dia recebeu uma mensagem do ex-marido que lhe dizia para comparecer na manhã seguinte na esquadra para “resolver o tranca fulha”, dizendo que a notificação provinha do comandante.

Ao visualizar a mensagem, questionou o mensageiro se estava a ser notificada, porque aquilo não era forma de notificar alguém a comparecer numa esquadra. Portanto recusou a apresentar-se e no dia seguinte foi enviada uma viatura a sua casa tendo esta explicado ao agente que não tinha sido notificada. Mas este apenas estava centrado em ofender a sua pessoa e a gritar.

Para evitar mais complicações, acompanhou o agente à esquadra e pediu à vizinha que ficou com a outra criança para a acompanhar, por forma a esclarecerem a situação. Ao chegar, foi avisada da ausência do comandante e portanto deveria voltar mais tarde, pois estiveram boa parte da manhã à sua espera.

Quando regressou à tarde e na presença dos pais da criança levada por engano esclareceu o sucedido e estes entenderam que ela não foi culpada do sucedido e comprometeram-se a explicar a situação nas redes socias, que até ao momento do aparecimento da criança estavam um reboliço. Algo que não aconteceu e nem a polícia, nem outras pessoas querem entender o que se passou e desde então viu a sua vida  transformar-se num “inferno”, com perseguições, acusações calúniosas e difamações e ainda o filho a ser abordado pelos colegas, que dizem que a sua mãe rouba crianças.

Elvis Carvalho

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